NANOCARREADORES DE ALBUMINA: INFLUÊNCIA DA PROTEÍNA SPARC NA INTERNALIZAÇÃO POR CÉLULAS TUMORAIS
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Resumo
O câncer ainda representa um grande desafio clínico por se tratar de uma doença multifatorial. Dessa forma, seu tratamento frequentemente exige abordagens terapêuticas combinadas para garantir maior eficácia e melhor qualidade de vida aos pacientes. Nesse contexto, a nanomedicina surge como uma ferramenta promissora, especialmente pelo uso de nanocarreadores para o encapsulamento de quimioterápicos, promovendo melhorias na formulação, administração, biodistribuição e redução de efeitos tóxicos colaterais. Entre os nanocarreadores mais empregados e promissores, destacam-se as nanopartículas proteicas (PNPs), que apresentam elevada biocompatibilidade e capacidade de encapsular fármacos quimioterápicos. Dentre elas, as nanopartículas produzidas a partir de albumina sérica humana (HSA-PNPs) têm recebido destaque devido à sua biocompatibilidade, biodegradabilidade e eficiência como carreadores de medicamentos. Além disso, a albumina interage com a glicoproteína SPARC, altamente expressa na matriz extracelular de diversos tumores, e acredita-se que essa interação favoreça o acúmulo das HSA-PNPs na região tumoral. A interação entre albumina e SPARC tem demonstrado potencial terapêutico em tratamentos baseados em HSA-PNPs, embora os mecanismos envolvidos ainda sejam pouco compreendidos, especialmente no que se refere à internalização celular dessas nanopartículas mediada por interações com SPARC. Assim, o objetivo deste projeto de iniciação científica é investigar a participação de SPARC no processo de captação celular de HSA-PNPs. Como modelo experimental, foram utilizadas nanopartículas fluorescentes de sílica (50 nm) e poliestireno (100 nm) revestidas com HSA em sua forma nativa ou quimicamente desnaturada (nHSA e dHSA, respectivamente). As linhagens celulares escolhidas foram: MDA-MB-231 e BT-549, ambas de câncer de mama triplo negativo (TNBC); MCF-7, uma linhagem de câncer de mama luminal; e U87MG, uma linhagem de glioblastoma. Realizou-se Western Blotting para avaliar a expressão de SPARC nas linhagens celulares. Para isso, após 24 h de cultivo celular, os meios condicionados foram coletados, concentrados em filtros Amicon 10 kDa e submetidos à eletroforese SDS-PAGE. Em seguida, as proteínas foram transferidas para membranas de PVDF, e a presença de SPARC foi detectada por imunomarcação e quimioluminescência. Até o momento, observou-se expressão de SPARC pelas células MDA-MB-231, BT-549 e U87MG, enquanto experimentos ainda estão em andamento para a linhagem MCF-7. Para os ensaios de captação celular das nanopartículas, as células foram lavadas para remoção do meio de cultura e incubadas por 4 h em meio fresco contendo nanopartículas revestidas com nHSA ou dHSA. As incubações foram realizadas tanto na ausência quanto na presença de 100 ng/mL de SPARC recombinante. Após a incubação, as células foram lavadas e analisadas por citometria de fluxo. Os resultados dos ensaios de endocitose mostraram que a presença de SPARC não aumentou os níveis de internalização das nanopartículas em células MDA-MB-231. Experimentos estão em andamento para avaliar a internalização celular das nanopartículas nas demais linhagens celulares. Em conclusão, a combinação dos resultados de secreção de SPARC obtidos por Western Blotting com os resultados de endocitose avaliados por citometria de fluxo permitirá uma melhor compreensão do papel da proteína SPARC na captação celular de partículas à base de albumina.
