A INVISIBILIZAÇÃO DOS MARCADORES SOCIAIS DE RAÇA, GÊNERO E CLASSE SOCIAL NO ATENDIMENTO DO PAIF: LIMITES E DESAFIOS PARA UM TRABALHO PROFISSIONAL EMANCIPATÓRIO
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Resumo
Analisa-se a incorporação dos marcadores sociais de raça, gênero e classe social no cotidiano do trabalho da equipe multiprofissional, composta por assistentes sociais, psicólogos e terapeutas ocupacionais, no atendimento realizado pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), bem como identificar os limites para sua problematização, considerando seus desdobramentos para a construção de um trabalho profissional antirracista, antissexista e emancipatório. Parte-se do pressuposto de que o SUAS, no qual se insere o PAIF, constituindo-se este como mediação histórica e contraditória no interior do Estado capitalista e que, no contexto brasileiro, tais contradições são atravessadas por desigualdades de raça, gênero e classe historicamente construídas, que incidem sobre o acesso, a qualidade e as formas de operacionalização do atendimento ofertado à população. Os marcadores sociais de raça, gênero e classe social são compreendidos como construções sócio-históricas estruturantes da sociedade brasileira, cuja incorporação nas políticas sociais ocorre de forma desigual, fragmentada e, por vezes, silenciada, produzindo limites à apreensão dessas desigualdades no cotidiano institucional. Nessa perspectiva, entende-se que a não explicitação desses marcadores no exercício profissional, no âmbito do atendimento socioassistencial, não se configura como falha individual dos profissionais, mas como expressão de determinações históricas, institucionais, normativas e formativas que atravessam a política de assistência social. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, que articula revisão bibliográfica, análise documental de normativas do SUAS e do PAIF e entrevistas semiestruturadas com profissionais atuantes nesse serviço.
