AVALIAÇÃO ELETROFISIOLÓGICA DA AUDIÇÃO DA AUDIÇÃO EM PACIENTES COM TRANSTORNO ESPECÍFICO DE APRENDIZAGEM
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Resumo
O Transtorno Específico de Aprendizagem (TEAp) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes em leitura, escrita e/ou matemática, frequentemente associados a alterações no processamento auditivo central. O Frequency Following Response (FFR) tem sido descrito como ferramenta sensível para investigar a codificação subcortical de estímulos linguísticos, oferecendo informações sobre latência, amplitude e fidelidade da representação neural da fala. Diante da escassez de dados nacionais sobre o perfil eletrofisiológico em TEAp, traçar este perfil pode contribuir para triagens auditivas escolares e antecipar o encaminhamento diagnóstico. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil do FFR em pacientes com TEAp. Tratou-se de estudo prospectivo, transversal, qualitativo e quantitativo, com amostra intencional de 9 indivíduos com diagnóstico de TEAp, idades entre 10 e 15 anos, ambos os sexos, com limiares auditivos dentro dos limites de normalidade segundo a OMS (2021). Após anamnese e avaliação audiológica básica, foi realizado o FFR com a sílaba sintética /da/ de 40 ms apresentada a 80 dBNPS, em condição silenciosa. Foram utilizadas 3.000 varreduras de polaridade alternada, eletrodo ativo em Cz e referência em mastoides, utilizando o equipamento Biologic Navigator Pro (Natus) com software BioMARK. Foram analisadas latências e amplitudes dos componentes V, A, C, D, E, F e O, além da interlatência e interamplitude V-A. Os dados foram comparados aos valores normativos descritos por Russo et al. (2004) por meio de Z-score. Foi construído o grand average das ondas e realizada análise descritiva e exploratória, com testes de normalidade (Shapiro-Wilk) e cálculo de medidas de tendência central, dispersão e intervalo de confiança de 95%. O grand average reproduziu a morfologia esperada do FFR, com identificação dos sete componentes. Observou-se tendência sistemática de prolongamento das latências em relação ao normativo, sendo o achado mais relevante o atraso do componente A (média de 8,16 ms; Z= 1,90), no limiar da significância clínica, replicando o biomarcador clássico de TEAp descrito na literatura internacional. As latências dos componentes vocálicos sustentados (D, E, F) e a codificação periódica do F0 mostraram-se preservadas no grand average, com baixos coeficientes de variação (CV<3%). A interamplitude V-A apresentou a menor variabilidade do conjunto (CV=9,1%), configurando-se como parâmetro candidato a desfecho primário em análises comparativas futuras. Foram identificados perfis individuais distintos: lentificação tardia, atraso seletivo do onset e inversão de polaridade em componentes específicos. Os achados parciais sugerem que o grupo TEAp apresenta comprometimento seletivo do processamento transiente do estímulo de fala, com preservação relativa do processamento periódico vocálico, padrão consistente com a literatura sobre marcador biológico de dificuldades de leitura. A continuidade do estudo, com inclusão do grupo controle e ampliação amostral, permitirá análises inferenciais robustas e a definição mais precisa do perfil eletrofisiológico do TEAp, contribuindo para sua aplicação como ferramenta auxiliar em triagens escolares e identificação precoce.
