Congresso UNIFESP 2026
INICIAÇÃO CIENTÍFICA - OUTROS FOMENTOSCIÊNCIAS DA SAÚDETrabalho #22574

STATUS DO GENE HLA-B*52 EM UMA COORTE BRASILEIRA DE PACIENTES COM ARTERITE DE TAKAYASU

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 3

Autores

ALEXANDRE WAGNER SILVA DE SOUZA - ORIENTADOR(A)ANDRESSA MIOZZO SOARES - AUTOR(A)GABRIELA RYE KOGIMA - AUTOR(A)

Resumo

Introdução: A arterite de Takayasu (TAK) é uma vasculite de grandes vasos caracterizada pela presença de inflamação granulomatosa na parede arterial com evolução para estenose, oclusão, dilatação ou mesmo a formação de aneurisma. O alelo do Human Leukocyte Antigen (HLA)-B*52 é o fator genético mais consistentemente associado à susceptibilidade à TAK em diferentes populações. Entretanto, dados acerca da sua frequência e de suas associações clínicas entre pacientes brasileiros com TAK eram inexistentes. Objetivos: Avaliar a frequência do HLA-B*52 e suas associações clínicas em pacientes brasileiros com TAK seguidos em um centro de referência no tratamento de vasculites sistêmicas no estado de São Paulo, bem como investigar a associação de outros alelos do locus HLA-B com a susceptibilidade à doença, comparando os achados com controles saudáveis. Metodologia: Estudo transversal incluindo 76 pacientes com TAK acompanhados em um centro de referência e 1.273.311 controles provenientes do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Foram coletadas variáveis sociodemográficas, clínicas, angiográficas, terapêuticas e índices validados de dano cumulativo. A genotipagem do HLA-B foi realizada por PCR-SSO (Polymerase Chain Reaction ? Sequence Specific Oligonucleotide). Resultados: A frequência do HLA-B*52 foi significativamente maior nos pacientes com TAK em comparação aos controles [10,5% versus 1,95%; odds ratio (OR): 2,93; intervalo de confiança de 95% (IC95%): 1,21?6,11; p=0,009]. Em análise multivariada com ajuste para idade, sexo e raça, o HLA-B*52 (OR ajustado: 3,31; IC95%: 1,58?6,92; p=0,001), HLA-B*41 (OR: 3,51; IC95%: 1,52?8,12; p=0,003) e HLA-B*44 (OR: 2,09; IC95%: 1,28?3,40; p=0,003) permaneceram independentemente associados ao diagnóstico de TAK. Não foram observadas associações entre HLA-B*52 e extensão angiográfica, eventos isquêmicos, necessidade de intervenções ou maior dano cumulativo. Observou-se apenas maior frequência de carotidínia entre os portadores do HLA-B*52 (87,5% versus 39,7%; p=0,019). Conclusão: O HLA-B*52 constitui fator de susceptibilidade à TAK na população brasileira; porém, não houve associação entre a presença do alelo e gravidade da doença ou desfechos clínicos estruturais. A identificação adicional de HLA-B*41 e HLA-B*44 sugere possível participação ampliada do locus HLA-B na arquitetura genética da doença em nosso meio.