Congresso UNIFESP 2026
INICIAÇÃO CIENTÍFICA - PIBIC CNPQCIÊNCIAS SOCIAIS APLICADASTrabalho #22605

O MACHISMO NAS ARQUIBANCADAS: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DAS MULHERES NAS ARQUIBANCADAS

Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Guarulhos)
ODS 5

Autores

LIANA DE PAULA - ORIENTADOR(A)LUANA FERREIRA FREITAS - AUTOR(A)

Resumo

O projeto de iniciação científica ?O machismo nas arquibancadas: uma análise da experiência das mulheres no futebol? investiga a presença e a vivência das mulheres nas arquibancadas, destacando os desafios enfrentados em um ambiente historicamente marcado pela predominância masculina. Embora o futebol seja um dos principais elementos da cultura brasileira e da identidade nacional, sua prática e fruição não ocorrem de maneira igualitária, sendo atravessadas por desigualdades de gênero que limitam a participação feminina. A pesquisa parte do pressuposto de que o futebol, além de prática esportiva, é também um espaço de sociabilidade que reflete e reproduz estruturas sociais mais amplas, como o patriarcado. Nesse contexto, o machismo se manifesta de diferentes formas nas arquibancadas, incluindo assédio, comentários depreciativos, questionamentos sobre o conhecimento das mulheres em relação ao esporte e tentativas de deslegitimar sua presença. Além disso, há um controle simbólico sobre o corpo e o comportamento feminino, que reforça estereótipos de gênero e restringe a liberdade das torcedoras. Apesar dessas barreiras, o estudo evidencia que as mulheres têm ampliado sua presença no futebol ao longo do tempo, não apenas como torcedoras, mas também como protagonistas em diferentes funções. Historicamente, elas tiveram papel relevante na formação das torcidas, ainda que frequentemente invisibilizadas ou reduzidas a papéis secundários. Atualmente, observa-se o crescimento de coletivos femininos dentro das torcidas organizadas, que atuam no combate ao machismo e na promoção da inclusão, criando redes de apoio e estratégias de resistência. Do ponto de vista teórico, a pesquisa se fundamenta nos estudos de gênero e na sociologia do esporte, mobilizando conceitos como dominação masculina, violência simbólica e construção social das diferenças de gênero. Esses referenciais permitem compreender como a ideia de que o futebol é um espaço ?naturalmente masculino? é, na verdade, uma construção social que se mantém por meio de práticas e discursos cotidianos. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, baseada na realização de entrevistas com mulheres torcedoras de diferentes perfis, com idades entre 18 e 30 anos, na cidade de São Paulo. A análise dos dados será realizada por meio da análise de conteúdo, buscando identificar padrões, recorrências e significados nas experiências relatadas, bem como as estratégias utilizadas pelas mulheres para lidar com o machismo. O objetivo central do estudo é compreender como o machismo se manifesta nas arquibancadas e quais são seus impactos na experiência das mulheres torcedoras. Ao dar visibilidade a essas vivências, a pesquisa pretende contribuir para o debate sobre desigualdade de gênero no esporte e para a construção de um ambiente mais inclusivo, democrático e igualitário no futebol.