Congresso UNIFESP 2026
PÓS-GRADUAÇÃO (stricto sensu)CIÊNCIAS DA SAÚDETrabalho #22706

O ALMANAQUE SAÚDE E OS PRECEITOS DA HIGIENE MENTAL

Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Guarulhos)
ODS 3ODS 4ODS 10ODS 11ODS 16

Autores

ALEXANDRE FILORDI DE CARVALHO - ORIENTADOR(A)CHARLES DE LIMA - AUTOR(A)

Resumo

O presente artigo investiga o Almanaque Saúde, publicado pelo Serviço Nacional de Educação Sanitária (S.N.E.S.) nas edições 1948, 1950, 1953, 1954, 1957, 1959 e 1960 publicados no Rio de Janeiro , como um dispositivo educacional (não escolar) central na estratégia de modernização do Brasil de 1948 a 1960. O texto analisa a transição de um modelo de saúde pública, focado no combate a epidemias rurais e externas, para uma gestão pautada na educação em saúde, tendo como foco a Higiene Mental da população dos centros urbanos. Utilizando o referencial teórico de Michel Foucault, a pesquisa demonstra como o Estado brasileiro se apropriou da linguagem popular dos almanaques de farmácia para manter o controle do poder ? agora escalonado e centrado nas questões psíquicas ?, transformando o lar e a família no novo lócus de controle. Observa-se um deslocamento pedagógico onde a saúde deixa de ser apenas a ausência de doenças físicas para tornar-se sinônimo de ajustamento emocional. Através da ?pedagogia do hábito?, o discurso médico-psiquiátrico é capilarizado para dentro da família, transformando pais em agentes de vigilância e terapeutas de seus filhos. Assim, o Almanaque Saúde é compreendido como uma ferramenta de governamentalidade, que busca moldar o comportamento e as subjetividades dos trabalhadores para atender às exigências da nova ordem industrial e urbana do país.