MIGRAÇÃO DE RETORNO: UM OLHAR PARA A TRAJETÓRIA DOS MIGRANTES DE BOM JARDIM (PE)
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Resumo
A migração é um fenômeno que faz parte da nossa sociedade que acarreta em diversas transformações nas quais podemos compreender os migrantes nordestinos como produtores de seus próprios espaços, trazendo consigo sua cultura e cotidiano. A presença de migrantes na cidade modifica a dinâmica do espaço, as pessoas são atingidas na sua adaptação ao lugar novo e nas relações estabelecidas inicialmente, o que influencia nas práticas sociais incorporadas ao lugar com o passar dos anos. A migração sempre esteve presente na minha família, composta boa parte por pernambucanos que cresceram no município de Bom Jardim, na Zona Rural de Pernambuco. Muitos deles migraram do campo para a cidade em busca de trabalho e melhores condições de vida, enquanto outros resolveram continuar no sítio. Entendemos que, na metrópole de São Paulo, são produzidas condições que podem possibilitar o retorno dos migrantes para a sua terra natal, como aconteceu com minha família. Assim, a migração de retorno acontece por diferentes motivos, sempre acompanhada da vontade de voltar ao lugar do nascimento. É importante conhecer exemplos de experiência migratória que nos ajudem a compreender melhor de onde parte essa ação de voltar. É no sentimento de pertencimento? É na comparação entre as condições materiais da cidade e da zona rural? É pelo trabalho ofertado e pelas condições impostas pelo patrão? É por conta da aposentadoria e do desejo de viver uma vida tranquila? A partir desses questionamentos surgiu a vontade de saber os motivos de retorno, através da trajetória de vida de moradores do município de Bom Jardim que migraram de São Paulo e voltaram para seu lugar de origem. Pesquiso e me interesso pela temática porque observo que a migração de retorno pode ajudar a compreendermos como as relações que estabelecemos com a capital podem nos moldar e como a falta do sentimento de pertencimento em quem é migrante pode ser um fator que o leve a retornar. O objetivo da pesquisa é compreender as motivações que levam os migrantes bonjardinenses que migraram para a cidade de São Paulo a retornarem para a sua terra natal, buscando entender seu processo de migração e de retorno assim como sua trajetória de vida na metrópole. Trata-se de pesquisa qualitativa, cuja metodologia inclui a realização de: revisão bibliográfica de conceitos geográficos fundamentais para o entendimento de migração de retorno; entrevistas semi-estruturadas com migrantes de retorno (dados primários), realizadas na moradia dos entrevistados; e levantamento de dados secundários sobre fluxos migratórios disponíveis no sistema de informações do IBGE. Será realizada "análise temática" dos resultados, por meio de categorias analíticas identificadas na literatura da área e categorias nativas identificadas nos discursos dos sujeitos da pesquisa (nas entrevistas). Espera-se contribuir com os estudos de migração de retorno numa perspectiva geográfica relacionada com as relações de trabalho e de vida cotidiana do migrante na metrópole. A pesquisa encontra-se em andamento, portanto, os resultados até então são parciais, podendo haver modificações. Após a realização das entrevistas foram identificadas as motivações que levaram os entrevistados a migrarem para São Paulo, bem como o retorno para sua terra natal. Entre os 4 entrevistados, 2 homens e 2 mulheres, com idades entre 38 a 60 anos, há semelhanças no processo de migração para São Paulo, tendo como principal incentivo a busca pelo trabalho e condições melhores de vida, relatados pelos entrevistados Aluisio e José. O retorno é resultado de questões familiares, da perda advinda da violência urbana, no caso de Iracema e de Aluisio, além do apego à família e ao lugar onde nasceu, como relatado por Geovana e José. Todos os entrevistados relatam a presença de condições necessárias, renda de aluguel, renda de aposentadoria e um lugar para onde voltar, como fatores que possibilitaram o retorno. É interessante destacar que o afeto pelo lugar que nasceu é um dos sentimentos que acompanha o migrante na sua trajetória enquanto esteve na cidade e é com ele que o parte. Há uma ligação com suas raízes que evidencia a sua identidade, nesse caso, enquanto pernambucano.
