Congresso UNIFESP 2026
INICIAÇÃO CIENTÍFICA - PIBIC CNPQCIÊNCIAS DA SAÚDETrabalho #22996

SARCOMA DE KAPOSI: ANÁLISE SOCIODEMOGRÁFICA, CLÍNICA, HISTOPATOLÓGICA E EVOLUTIVA

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 3

Autores

EDUARDO FRANCISCO XAVIER SALLES - CO-AUTOR(A)HERON FERNANDO DE SOUZA GONZAGA - CO-AUTOR(A)JANE TOMIMORI - ORIENTADOR(A)JULIANA DE SOUZA GOMES - AUTOR(A)MILVIA M. S. S. ENOKIHARA - CO-AUTOR(A)

Resumo

Introdução: O sarcoma de Kaposi (SK) é uma neoplasia vascular associada ao herpesvírus humano tipo 8 (HHV-8), com manifestações clínicas heterogêneas que variam de lesões cutâneas localizadas a formas sistêmicas agressivas. O diagnóstico é baseado em achados clínicos e histopatológicos e o prognóstico depende da extensão da doença, imunossupressão e comorbidades associadas. Objetivos: Descrever aspectos sociodemográficos, clínicos, histopatológicos e evolutivos do SK cutâneo em pacientes acompanhados no Hospital São Paulo (HSP)-Unifesp entre 1997?2023. Materiais e Método: Estudo retrospectivo, observacional, de centro único, com revisão de prontuários e análise histopatológica de pacientes com diagnóstico anatomopatológico de SK cutâneo. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos, terapêuticos, evolutivos e histopatológicos. Realizou-se análise descritiva e testes estatísticos para análises bivariadas, adotando-se p<0,05. Resultados: Foram incluídos 52 pacientes que apresentavam dados clínicos e epidemiológicos em prontuários médicos. A maioria era do sexo masculino (n=47; 90,4%; IC95%: 78,9?96,8%; p<0,001), a idade ao diagnóstico variou de 24-82 anos, com média de 46,7 anos, mediana de 44 anos (Q1=35,0; Q3=55,3). A distribuição etária não apresentou normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk (W=0,926; p=0,003). A maioria era branca (59,6%; n=31) e de fototipos (FT) de Fitzpatrick intermediários, como FT III?IV (32,7%; n=17), embora 32,7% (n=17) dos prontuários não apresentavam registro do FT. A forma epidêmica do SK foi a mais frequente (67,3%; n=35), seguida da iatrogênica (19,2%; n=10) e clássica (13,5%; n=7). Houve diferença significante entre idades conforme classificação clínica (p<0,001), com menores medianas na forma epidêmica (37 anos) em comparação às formas clássica (71 anos) e iatrogênica (60,5 anos). A manifestação clínica cutânea isolada foi mais frequente (46,2%; n=24) em comparação com a tegumentar (36,5%; n=19). Formas clássica e iatrogênica tiveram predomínio de acometimento cutâneo, enquanto a epidêmica teve distribuição clínica mais heterogênea. Não houve associação estatisticamente significante entre classificação e manifestação clínica (p=0,107), nem entre infecção pelo HIV e manifestação tegumentar (p=0,758). Houve ampla variabilidade morfológica das lesões, sendo maioria de pápulas (32,7%; n=17) e coexistência de múltiplos padrões lesionais em 50,0% (n=26) dos pacientes. Lesões acometeram mais frequentemente os membros inferiores (84,6%; n=44) e, entre as manifestações viscerais, destacou-se o acometimento do trato gastrointestinal (34,6%; n=18). Na análise histopatológica de 39 lâminas recuperadas, o subtipo angiomatoso foi mais frequente (71,8%; n=28). Células endoteliais fusiformes estavam ausentes em 46,2% (n=18) das amostras, sendo intensas em 23,1% (n=9). Infiltrado inflamatório foi de maioria linfocitário (76,9%; n=30), geralmente leve (59,0%; n=23), com ausência de plasmócitos em 82,1% (n=32). Edema esteve presente em 74,3% (n=29) das lâminas, sobretudo de intensidade leve (51,3%; n=20). Proliferação vascular esteve presente em maior intensidade nas camadas reticulares superficial e profunda da derme, com padrão moderado/intenso em 74,4% (n=29) e 69,2% (n=27), respectivamente, enquanto, na derme papilar, houve predomínio de acometimento leve (n=22; 56,4%) ou ausente (n=12; 30,8%). Ectasia vascular (92,3%; n=36), extravasamento de hemácias (82,1%; n=32) e tumefação endotelial (66,7%; n=26) foram achados frequentes e o sinal do promontório ocorreu em 30,8% (n=12) das amostras. Na avaliação subjetiva da quantidade de hemossiderina, observou-se ausência/leve depósito na derme papilar (94,9%; n=37) e maior intensidade na derme reticular superficial (74,4%; n=29) e profunda (69,2%; n=27), com baixa representatividade do tecido adiposo (59,0%; n=23 sem representação adequada). As principais modalidades terapêuticas foram terapia antirretroviral (59,6%; n=31) e quimioterapia (48,1%; n=25), de forma isolada ou combinada. O tempo médio de evolução foi de 7,85 ± 6,79 anos, com abandono de seguimento em 59,6% (n=31). Foram registrados cinco óbitos (9,6%), majoritariamente relacionados ao SK epidêmico associado ao HIV (80,0%; n=4). O reduzido número de eventos e as perdas de seguimento limitaram análises de mortalidade. Conclusão: O SK cutâneo apresentou perfil clínico-epidemiológico heterogêneo, acometendo principalmente homens e com maior frequência da forma epidêmica em pacientes mais jovens. Observou-se ampla variabilidade morfológica e distribuição multifocal das lesões, sobretudo em membros inferiores, além de acometimento visceral relevante. Histopatologicamente, destacou-se o subtipo angiomatoso, associado a proliferação vascular dérmica, ectasia vascular, extravasamento de hemácias e infiltrado inflamatório linfocitário. Elevadas perdas de seguimento limitaram avaliações prognósticas mais robustas e reforçam a importância do acompanhamento longitudinal desses pacientes.