Congresso UNIFESP 2026
PÓS-GRADUAÇÃO (stricto sensu)CIÊNCIAS DA SAÚDETrabalho #23035

SAÚDE MENTAL DE POLICIAIS E BOMBEIROS E AUTO PERCEPÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE ATENDIMENTO DAS OCORRÊNCIAS DE TENTATIVAS DE SUICÍDIO

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 3

Autores

GABRIELA ARANTES WAGNER - ORIENTADOR(A)TIAGO REGIS FRANCO DE ALMEIDA - AUTOR(A)

Resumo

Introdução Ocorrências de tentativa de suicídio representam um grande desafio para profissionais de atendimento a emergências, exigindo preparo técnico, equilíbrio emocional e conhecimento sobre manejo de crises suicidas, o que expõe policiais e bombeiros a eventos traumáticos e situações de elevada carga emocional, fatores associados ao aumento do sofrimento. Nesse contexto, compreender como a atuação profissional interfere na saúde mental e no conhecimento técnico relacionado ao atendimento dessas ocorrências pode subsidiar estratégias de capacitação e promoção de saúde mental. Objetivo Avaliar policiais militares e bombeiros militares quanto à saúde mental e percepção sobre atendimento das ocorrências de tentativas de suicídio. Métodos Estudo transversal com 1.150 profissionais de atendimento a emergências, (policiais militares e bombeiros militares). Os dados foram coletados por meio de questionário eletrônico contendo variáveis sociodemográficas, ocupacionais e instrumentos padronizados de saúde mental. Para avaliação da saúde mental foram utilizadas as escalas Generalized Anxiety Disorder (GAD-7) e Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG-12/GHQ-12). A percepção e o conhecimento sobre o atendimento às tentativas de suicídio foram avaliados por meio de questionário específico com 12 itens em escala Likert. Foi construído um escore médio de percepção técnica, considerando a inversão das questões negativas. Foram realizadas análises descritivas por meio de frequências absolutas e relativas. Também foram conduzidas análises multivariáveis utilizando regressão linear múltipla para testar a associação entre categoria profissional (policial ou bombeiro) e os desfechos ?saúde mental? (escore GAD-7) e ?percepção técnica? (escore médio do questionário), ajustando-se os modelos para idade, sexo, tempo de serviço e atuação operacional. Resultados Participaram do estudo 1.150 profissionais, sendo 626 policiais militares (54,4%) e 524 bombeiros militares (45,6%). A maioria dos participantes era do sexo masculino (82,0%). Quanto ao local predominante de atuação, 571 (49,1%) relataram atuação operacional, 322 (27,7%) atuação administrativa e 257 (22,1%) outras atividades. Em relação ao Curso de Abordagem Técnica a Tentativas de Suicídio (ATTS) ou similar, 217 participantes (18,7%) referiram já ter realizado capacitação específica. Com relação as variáveis quantitativas, quando separadas por categoria profissional, é possível observar que a média de idade de policiais militares 28,9 [28,2?29,5] é menor que a de bombeiros militares 33,5 [32,7?34,3], também sendo possível observar diferença na média de número de filhos, 0,39 [0,33?0,46] contra 0,75 [0,66?0,84], sessões de atividade física/semana, 3,9 [3,74?3,98] contra 4,3 [4,14?4,41], atividade extra corporação/semana, 0,22 [0,16?0,29] contra 0,60 [0,50?0,69] e tempo de serviço, 7,2 [6,5?7,8] contra 11,8 [11,0?12,6]. Em face de análise inferencial, utilizando regressão linear múltipla, o modelo demonstrou que maiores escores de percepção técnica, maior prática de atividade física e maiores horas de sono associaram-se mais frequentemente aos bombeiros militares, enquanto profissionais mais jovens apresentaram maior probabilidade de serem policiais militares. A comparação dos escores totais do GAD-7 entre policiais militares e bombeiros militares não demonstrou diferença estatisticamente significativa. Em relação ao QSG-12/GHQ-12, observou-se maior frequência de sofrimento psíquico entre profissionais com maiores escores de ansiedade e menores horas de sono. Policiais militares apresentaram maior associação com consumo de bebida alcoólica, enquanto bombeiros militares apresentaram melhores indicadores relacionados à prática de atividade física e percepção técnica sobre o atendimento às tentativas de suicídio. Discussão Os achados indicam que a categoria profissional não apresentou impacto significativo sobre os sintomas ansiosos avaliados pelo GAD-7, sugerindo que tanto policiais quanto bombeiros compartilham exposição semelhante a fatores ocupacionais estressores relacionados à segurança pública. Por outro lado, observou-se diferença relevante quanto ao conhecimento e à percepção técnica sobre o atendimento às tentativas de suicídio, com melhores resultados entre bombeiros. Tal resultado pode estar relacionado à maior exposição desse grupo a treinamentos específicos, protocolos humanizados de atendimento e cursos voltados à abordagem técnica em crises suicidas. O maior escore de percepção entre profissionais operacionais reforça a importância da experiência prática e da capacitação continuada para o desenvolvimento de habilidades técnicas e emocionais no atendimento dessas ocorrências. Os resultados também evidenciam a necessidade de fortalecimento de políticas institucionais voltadas à saúde mental dos profissionais de emergência, bem como ampliação de programas de treinamento interdisciplinar sobre comportamento suicida. Os resultados obtidos pelo QSG-12 reforçam