NIHONGA: A ARTE E A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE JAPONESA (1868-1889)
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Resumo
Este trabalho trata-se de uma pesquisa de Iniciação Científica (voluntária), desenvolvida pela graduanda em Licenciatura em História, Milena de Farias, sob orientação da Professora Doutora Samira Adel Osman. A pesquisa analisa o processo de construção da arte japonesa (Nihonga), como uma ferramenta de definição de uma identidade cultural nacional, sendo parte do projeto da Era Meiji (1868-1912), no Japão. Partindo principalmente da figura e trajetória de Ernest Fenollosa ? americano que participou ativamente da estruturação do Nihonga ?, busca-se problematizar a ideia de um movimento puramente tradicional e nacional, além de compreender quais eram os ideais associados ao Nihonga, bem como os mecanismos por meio dos quais esses valores foram construídos, legitimados e difundidos, no Japão e internacionalmente. Portanto, a pesquisa se insere no campo das discussões sobre os nacionalismos e imperialismo do século XIX, dialogando também com a questão do uso das tradições, orientalismo e o papel da arte no discurso político. A pesquisa articula a análise de fontes primárias, como textos produzidos por Fenollosa e pinturas do estilo Nihonga, à uma revisão bibliográfica dos estudos historiográficos sobre o período Meiji, nacionalismo, tradições e a formação da arte moderna japonesa. Inicialmente, observa-se que o Nihonga não pode ser compreendido como uma simples continuidade da tradição artística japonesa, mas como uma construção situada e vinculada a interesses políticos e culturais da Era Meiji, além de que a atuação de Fenollosa foi fundamental na definição e legitimação de uma determinada concepção de arte, contribuindo para a formulação de uma identidade nacional alinhada às demandas da modernidade.
