SAÚDE INDÍGENA E SALVAGUARDA DA MEMÓRIA: DIÁLOGOS ENTRE UNIVERSIDADE PÚBLICA, EXTENSÃO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
Autores
Resumo
A presente pesquisa investiga as formas de salvaguarda da memória da saúde indígena no Brasil a partir da história do Projeto Xingu, programa de extensão universitária do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP), em diálogo com as políticas públicas conduzidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no âmbito da saúde indígena. Em consonância com o tema do congresso, ?A Universidade Pública e a Inteligência Artificial: ética, inovação e transformação social?, o estudo propõe refletir sobre os desafios éticos, políticos e epistemológicos da preservação de memórias e saberes indígenas em contextos universitários e institucionais atravessados pelo uso crescente de tecnologias e sistemas de informação, colocando em debate as possibilidades de diálogo entre inovação tecnológica e inteligência ancestral, termo mobilizado por diferentes povos indígenas para afirmar sistemas de conhecimento construídos ao longo de décadas, baseados na relação entre território, espiritualidade, coletividade, cuidado e transmissão intergeracional de saberes. A pesquisa tem como objetivo compreender os diálogos interculturais presentes tanto na execução de políticas públicas de saúde quanto nos processos de salvaguarda do acervo do Projeto Xingu, analisando de que forma o reconhecimento das medicinas indígenas, dos saberes tradicionais e das alianças interétnicas contribuiu para a construção de práticas de cuidado, memória e preservação cultural. Parte-se da hipótese de que o reconhecimento da da construção de abordagens interétnicas constitui elemento fundamental do Projeto Xingu ,desde sua origem, sendo também indispensável para a integração de diferentes saberes, tecnologias e sistemas institucionais de memória e saúde. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, multidisciplinar e participativa, combinando revisão bibliográfica e análise documental. Os materiais mobilizados incluem documentos institucionais, objetos, registros fotográficos, publicações acadêmicas e aproximações com acervos de museus de saúde e antropologia, buscando compreender práticas de preservação e comunicação das memórias da saúde indígena. Como resultados esperados, pretende-se identificar estratégias já existentes de salvaguarda, bem como lacunas, desafios e potencialidades éticas na preservação do patrimônio cultural indígena, especialmente frente às transformações tecnológicas que impactam os modos de registro, circulação e legitimação dos conhecimentos na universidade pública. Propõe-se, ainda, o delineamento de diretrizes orientadas por uma ética biocêntrica, que reconheça povos indígenas, territórios e sistemas de cuidado como agentes centrais de memória e saúde, indicando que o diálogo entre inteligência artificial e inteligência ancestral pode ampliar formas socialmente responsáveis de inovação, preservação e produção de conhecimento, fortalecendo políticas públicas culturalmente sensíveis e comprometidas com a justiça histórica no Brasil.
