POLÍTICA INTERNACIONAL E (ANTI)SEGURANÇA NAS AMÉRICAS: UMA ANÁLISE DOS MOVIMENTOS CONTRA A POLÍCIA NO BRASIL E COLÔMBIA.
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Resumo
O objeto dessa pesquisa é a polícia como tecnologia de governo, analisada a partir dos movimentos, insurgências e manifestações que contestam sua atuação no Brasil e na Colômbia, especialmente no contexto posterior ao assassinato de George Floyd, em 2020. O objetivo então é analisar as contestações aos paradigmas tradicionais de segurança que se expressam em movimentos sociais de oposição à polícia e à violência de Estado. Especificamente, serão considerados dois movimentos, no Brasil, Associação 13 de Agosto, coletivo criado após a Chacina de Osasco e Barueri, em 2015; na Colômbia, foi selecionado o coletivo Colectivo 9S, formado pelas 14 famílias dos jovens assassinados pela polícia no massacre do dia 9 de setembro de 2020, em Bogotá. Busca-se compreender como as lutas contra a violência policial se articulam a partir de histórias e experiências locais de dominação e localizar as proposições políticas capazes de questionar as formas contemporâneas de controle social. Além disso pretende-se investigar as conexões entre essas elaborações críticas e a produção acadêmica no campo da Segurança Internacional, de modo a sistematizar e analisar, em diferentes escalas, as críticas formuladas por esses movimentos. Inserido em uma abordagem genealógica foucaultiana, o estudo analisa como dispositivos de segurança e tecnologias de governo produzem formas de controle sobre corpos, territórios e subjetividades, ao mesmo tempo em que considera os protestos como espaços de reconfiguração política e produção de contrapoderes. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa de inspiração etnográfica, pela imersão nas práticas e dinâmicas dos movimentos em seus contextos cotidianos, orientada pela articulação entre trabalho de campo e análise documental. Dessa forma, objetivo central é caracterizar essas mobilizações e sistematizar suas críticas, articulando-as ao campo da Segurança Internacional. Argumenta-se que tais movimentos não apenas denunciam a violência policial, mas também tensionam paradigmas tradicionais e contribuem para a formulação de perspectivas críticas e anticoloniais sobre segurança, justiça e ordem pública. As hipóteses e os marcos teóricos deste estudo serão confrontados e analisados por meio de revisão crítica da bibliografia, o conjunto de críticas à atuação policial e as forças de segurança mobilizadas pelos movimentos escolhidos e a genealogia da polícia como tecnologia de governo
