Congresso UNIFESP 2026
PÓS-GRADUAÇÃO (stricto sensu)CIENCIAS BIOLOGICASTrabalho #23474

GASDERMINA-D, MAS NÃO NINJ1, LIMITA O CONTROLE DE TOXOPLASMA GONDII POR MACRÓFAGOS

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)

Autores

AMANDA VERDICCHIO CANIATO - CO-AUTOR(A)KARINA RAMALHO BORTOLUCI - ORIENTADOR(A)RAFAEL QUEIROZ DE SOUZA - PARTICIPANTE EXTERNO

Resumo

Introdução: Inflamassomas são complexos citoplasmáticos ativados em resposta a padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs), danos celulares e alterações da homeostase, levando à ativação da caspase-1 e ao processamento de IL-1?, IL-18 e Gasdermina-D (GSDMD). A clivagem de GSDMD promove a formação de poros na membrana plasmática, permitindo a liberação de citocinas inflamatórias e desencadeando um tipo de morte celular inflamatório denominada piroptose. No entanto, a ruptura efetiva da membrana plasmática durante esse processo requer a ativação de NINJ1, uma proteína associada à membrana que medeia a lise celular e a liberação do conteúdo intracelular durante a piroptose. A literatura já demonstrou que diferentes inflamassomas são ativados durante a infecção por Toxoplasma gondii, desempenhando papel importante na resposta imune do hospedeiro e no controle da infecção. Entretanto, a participação de GSDMD e NINJ1, moléculas associadas à permeabilização e ruptura da membrana plasmática durante a piroptose, ainda não está completamente elucidada nesse contexto. Objetivo: Avaliar o papel de moléculas associadas à morte celular inflamatória no controle da infecção por Toxoplasma gondii. Materiais e Métodos: Para isso, células da medula óssea de camundongos adultos (WT, GSDMD-/- e NINJ1-/-) foram obtidas e diferenciadas em macrófagos derivados de medula óssea (BMDMs). Após a diferenciação, os BMDMs foram infectados com a cepa RH-YFP de Toxoplasma gondii por 18 h. Em seguida, as células foram fixadas e submetidas à imunofluorescência para quantificação da infecção. Além disso, o sobrenadante das culturas celulares foi coletado para posterior dosagem de citocinas e avaliação de parâmetros associados à morte celular inflamatória. Resultados: Como esperado, BMDMs GSDMD-/- e NINJ1-/- apresentaram menor liberação de LDH em resposta à infecção, quando comparados aos BMDMs WT, demonstrando a importância dessas moléculas no processo de ruptura da membrana plasmática durante a infecção por T. gondii. Surpreendentemente, BMDMs GSDMD-/- apresentaram melhor controle da infecção em comparação com às células WT. Em contraste, macrófagos NINJ1-/- mostraram-se mais suscetíveis à replicação parasitária, sugerindo que GSDMD prejudica o controle da infecção de maneira independente de NINJ1. Ainda, a ausência de NINJ1 resultou em redução na liberação de IL-1? em resposta à infecção, enquanto macrófagos GSDMD-/- mantiveram níveis da citocina semelhantes aos observados nas células WT após 18h de infecção, sugerindo que o controle da infecção em nosso modelo possa estar associado à liberação de IL-1?. De fato, observamos que, após 4 h de infecção, macrófagos GSDMD-/- apresentaram maior liberação de IL-1? em comparação às células WT. Considerando a associação entre a produção dessa citocina e o controle da infecção em nosso modelo, avaliamos se a adição exógena de IL-1? seria capaz de modular a replicação parasitária em macrófagos WT. Para isso, IL-1? recombinante foi adicionada às culturas após 4 h de infecção, resultando em redução da carga parasitária nas células WT a níveis semelhantes aos observados em macrófagos GSDMD-/-. Conclusão: Os dados apresentados demonstram que GSDMD limita a produção precoce de IL-1? em resposta à infecção por Toxoplasma gondii de maneira independente de NINJ1, comprometendo o controle parasitário. Em conjunto, nossos resultados sugerem que a produção inicial de IL-1? desempenha papel importante na restrição da replicação do parasito em macrófagos infectados.