Congresso UNIFESP 2026
PÓS-GRADUAÇÃO (stricto sensu)CIÊNCIAS DA SAÚDETrabalho #23490

TAXA DO BAIXO PESO AO NASCER NO BRASIL: UMA ANÁLISE TEMPORAL E ASSOCIATIVA

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 2ODS 3ODS 13

Autores

MARCELO DA LUZ SANTOS - AUTOR(A)PAULA MIDORI CASTELO - CO-ORIENTADOR(A)RODRIGO ANTONIO PELICIARI GARCIA - ORIENTADOR(A)

Resumo

O baixo peso ao nascer (BPN) é uma condição multifatorial e um importante preditor de desfechos adversos na infância, causando impactos até a vida adulta. Exposições à fatores ambientais, assim como disruptores endócrinos estão associados a dessincronização do relógio biológico durante a gravidez. Assim, o objetivo deste estudo consiste em identificar a existência de variações rítmicas e janelas temporais críticas em que as exposições climáticas e poluentes exercem maior impacto sobre o BPN no Brasil no período de 2011-2022, a partir de dados obtidos no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos - DATASUS. Para a análise estatística foi utilizado o teste de Kruskal?Wallis para detectar qualquer variação temporal em cada grupo. As séries temporais que apresentaram significância estatística foram avaliadas quanto à existência de ritmo circanual utilizando o método do cosinor para uma periodicidade de 12 meses. Os parâmetros de P, acrofase, mesor, amplitude e período foram obtidos para cada mês. Para modelar associações não lineares e efeitos defasados (lagged effects) entre variáveis climáticas/poluentes e a taxa BPN, foi empregada uma abordagem baseada em Distributed Lag Non-Linear Models (DLNM), implementada uma matriz cross-basis utilizando (B-splines) e termos harmônicos sazonais com periodicidade anual, permitindo modelar padrões cíclicos e sazonalidade tanto para a dimensão da exposição quanto para a dimensão temporal dos lags. Análises de sensibilidade também foram feitas em três cenários sazonais: série completa (geral), estação quente e estação fria. Considerando defasagens máximas de até 9 meses, permitindo captar efeitos retardados das exposições sobre os desfechos perinatais, foi aplicado um procedimento de detecção de picos baseado em suavização por média móvel, permitindo identificar os maiores efeitos positivos e negativos ao longo das defasagens temporais com significância de P<0,05. A ritmicidade circanual da taxa do BPN foi avaliada em todos os estados brasileiros. Apenas os estados de PE, SE, BA, RJ e SP, apresentaram oscilação temporal significativa para o período, segundo o modelo cosinor. A análise Distributed Lag Non-Linear Model identificou associações não-lineares significativas entre o baixo peso e variáveis ambientais, com destaque para os efeitos variando conforme estados e tempo de defasagem (lag). No interstício de verão, na Bahia, a umidade relativa do ar apresentou associação positiva significativa no lag 6. No Espírito Santo foram observadas associações significativas para o Ozônio pico no lag 3 e temperatura mínima pico no lag 4. No Sergipe a temperatura máxima durante o verão apresentou associação positiva, com pico no lag 6 e no Rio de Janeiro, a fotofase apresentou associação significativa com pico no lag 5, e Ozônio com pico no lag 6. No entanto, em São Paulo, a fotofase apresentou associação significativa considerando toda a série temporal "geral" com pico no lag 3. Em resumo, a taxa do BPN apresentou um padrão rítmico apenas em 6 estados. As variáveis climáticas e ambientais mostraram efeitos defasados e sazonalmente dependentes sobre a taxa do baixo peso, especialmente durante o período mais quente. Como conclusão preliminar, esses achados sugerem que fatores ambientais e cronobiológicos podem atuar conjuntamente na modulação temporal da taxa do BPN.