Congresso UNIFESP 2026
MONITORIAMULTIDISCIPLINARTrabalho #23539

TEORIA SOCIAL CONTEMPORÂNEA: CRÍTICA ÀS NARRATIVAS DE PROGRESSO, À PLATAFORMIZAÇÃO E À VIGILÂNCIA

Vídeo disponível
Reitoria
ODS 9ODS 10ODS 11

Autores

MARIA LUIZA ANDREOTTI DE ASSUNCAO - MONITOR(A)MARIA LUIZA SALES TRISTAO - MONITOR(A)SABRINA NAOMI DA SILVA WATANABE - MONITOR(A)SALVADOR ANDRES SCHAVELZON - DOCENTE

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo descrever como a Unidade Curricular de Teoria Social Contemporânea e, posteriormente, o projeto de monitoria contribuíram para nosso percurso acadêmico. Para além do enriquecimento curricular, ambas experiências promoveram discussões sobre temas contemporâneos e nos estimularam a realizar reflexões críticas aplicáveis tanto ao âmbito acadêmico quanto às nossas vivências cotidianas. Nesse contexto, tivemos a oportunidade de aprofundar os estudos em autores como Anna Tsing, que, a partir da cadeia produtiva do cogumelo matsutake, investiga os ?espaços pericapitalistas? e o fenômeno da ?acumulação por aproveitamento?. A autora propõe uma ruptura com as narrativas tradicionais de progresso, marcadas por uma temporalidade única voltada ao futuro, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando emerge a percepção de que o próprio ser humano pode representar uma ameaça ao mundo. Nesse sentido, Tsing mobiliza a metáfora da ruína não como fracasso, mas como espaço fértil para novas formas de vida e sobrevivência colaborativa, permitindo olhar para mundos historicamente ignorados por não se adequarem à lógica linear do desenvolvimento. Assim, pretendemos demonstrar como o capitalismo global se apropria de processos e ritmos que não controla totalmente, transformando valores gerados fora de sua lógica em ativos capitalistas, como ocorre no caso do matsutake. Além das reflexões propostas por Anna Tsing, a Unidade Curricular proporcionou discussões sobre as transformações contemporâneas do trabalho e das relações sociais mediadas pelas tecnologias digitais, com destaque para as contribuições de Ludmila Costhek Abílio, Henrique Amorim e Rafael Grohmann. Abílio, Amorim e Grohmann analisam como plataformas digitais, como Uber e iFood, modificaram as relações de trabalho por meio da ?uberização?, marcada pela precarização, insegurança e subordinação dos trabalhadores aos algoritmos e regras das plataformas, apesar do discurso de autonomia e flexibilidade. A partir das ideias dos autores, buscaremos evidenciar como esses aplicativos utilizam dados e mecanismos de monitoramento para controlar produtividade e comportamento, aspecto que dialoga diretamente com as reflexões de Zuboff acerca do capitalismo de vigilância, no qual empresas de tecnologia transformam experiências humanas em dados coletados, analisados e comercializados para prever e influenciar ações humanas. Dessa forma, a Unidade Curricular de Teoria Social Contemporânea (TSC), somada à experiência da monitoria, possibilitou compreender de forma crítica as transformações do capitalismo contemporâneo e seus impactos sobre o trabalho, a tecnologia e as relações sociais, especialmente em um contexto marcado pela plataformização e pela vigilância digital. Além de ampliar as reflexões acerca das contradições presentes na sociedade contemporânea, a monitoria também se constituiu como um espaço de formação intelectual, troca coletiva e pensamento crítico, contribuindo para o aprofundamento teórico das temáticas abordadas na UC e para o desenvolvimento de uma postura analítica diante dos desafios do mundo contemporâneo.

Vídeo-Pôster