EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE E O CUIDADO COM A SAÚDE MENTAL NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
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Resumo
Introdução: O presente relato de experiência detalha as atividades desenvolvidas na disciplina de Educação Permanente em Saúde (EPS) do Mestrado Profissional Ensino em Ciências da Saúde da UNIFESP, realizada no primeiro semestre de 2026. A disciplina buscou problematizar a Política Nacional de EPS e sua articulação com a educação interprofissional e as práticas colaborativas no Sistema Único de Saúde (SUS). O cenário de intervenção escolhido foi uma equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) da cidade de São Paulo/SP, caracterizada por uma gestão indireta com forte ênfase produtivista, onde metas quantitativas rigorosas, frequentemente, suprimem o "tempo protegido" destinado à formação e ao cuidado da própria equipe. Identificou-se que a carência de suporte à saúde mental dos profissionais impacta diretamente a qualidade da assistência, gerando sobrecarga, esgotamento emocional e sentimentos de impotência diante das complexas vulnerabilidades dos territórios onde atuam. Objetivo: Propor e desenvolver um Plano de Ação Formativa em EPS, partindo de um diagnóstico situacional, para enfrentar a carência de suporte à saúde mental e promover o desenvolvimento de competências colaborativas entre os trabalhadores da referida equipe. Materiais e Métodos: A metodologia adotada foi participativa, iniciando-se com a identificação de situações-problema por meio de observações diretas e entrevistas nos cenários de atuação profissional dos mestrandos. Após discussões coletivas e mediação por tutoria, utilizou-se a Matriz 5W3H para o detalhamento organizacional das ações e a ferramenta Canvas para organização do trabalho em equipe. O Plano foi estruturado em quatro eixos: 1) Dinâmica de problematização narrativa para mapear vivências; 2) Acolhimento interprofissional com vídeos de sensibilização; 3) Oficinas de dramatização de casos críticos para gerar empatia e descompressão emocional; e, 4) Integração com a Rede de Atenção à Saúde (RAS) por meio da construção de um ecomapa digital no Padlet. A avaliação foi planejada com o modelo de Kirkpatrick (nível de reação), diários de campo e a escala WHOQOL-Bref. Resultados: A primeira ação do Plano foi implementada em caráter de simulação com os demais mestrandos inscritos na disciplina EPS, em encontro presencial. A simulação possibilitou o exercício efetivo do diálogo empático e do pensamento crítico sobre a realidade do trabalho, validando a problematização como via para criar espaços seguros de escuta e acolhimento de demandas relacionadas ao contexto de trabalho. Conclusão: A experiência evidenciou que planos baseados na realidade local potencializam a EPS como estratégia de transformação da micropolítica do trabalho. Espera-se que a continuidade da implementação do Plano produza redução dos desgastes emocionais e o fortalecimento da articulação interprofissional. Conclui-se que o cuidado com a saúde mental de quem cuida é pilar essencial para a sustentabilidade do SUS, reforçando que o planejamento participativo e o "tempo protegido" são fundamentais para a qualidade da assistência e a satisfação no trabalho.
