Congresso UNIFESP 2026
INICIAÇÃO CIENTÍFICA - VOLUNTÁRIOCIÊNCIAS HUMANAS, ARTES, JORNALISMO E INFORMAÇÃOTrabalho #23724

O "SENTIDO DA HISTÓRIA": A CRÍTICA À TELEOLOGIA NO JOVEM NIETZSCHE (1862-1868)

Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Guarulhos)
ODS 4

Autores

IVO DA SILVA JUNIOR - ORIENTADOR(A)THIAGO SILVA DOS SANTOS - AUTOR(A)

Resumo

Em meados do século XIX, certas crenças em um "sentido da história" estão presentes no pensamento alemão de época. Quer seja dado pela teologia com o cristianismo, que crê em um fim que se encerra em um outro mundo transcendente, quer seja dado pela filosofia pela via de uma "Filosofia da História", que crê na razão como guia para o "progresso" por meio de uma "evolução geral da humanidade", tais crenças em um "sentido da história" trazem consigo o conceito de teleologia (Télos, do grego, como sendo esse sentido, finalidade, ou alvo ao qual nos dirigimos). O problema, para Nietzsche, é que esse tipo de argumentação teleológica se mostra fundamental para justificar as ditas "ideias modernas", as quais o filósofo coloca em suspeita em seus ensaios de juventude, pois por um lado passa-se a valorizar um outro mundo transcendente em detrimento do nosso mundo, e por outro lado, valoriza-se o progresso, a técnica e a eficácia modernas em detrimento da cultura, da reflexão e do pensamento crítico. Sendo assim, nos perguntamos: como se articula a crítica à teleologia, isto é, ao "sentido da história", no pensamento do jovem Nietzsche? Para responder a essa pergunta, realizaremos uma leitura e análise imanente dos seguintes textos do filósofo: o ensaio Fado e História (1862) e os fragmentos póstumos Sobre História e Literatura (1867-1868). A pesquisa estrutura-se em dois momentos: primeiramente, examinaremos como o jovem Nietzsche, em seu ensaio de 1862, intenta criticar a teologia cristã, a providência divina e as ideias teleológicas ali presentes. Buscaremos compreender em que medida, nesse ensaio, Nietzsche ainda preserva noções teleológicas ao usar expressões como "evolução geral da humanidade" e "direção do espírito". Em um segundo momento, analisaremos nos fragmentos póstumos de 1867-1868 como, cerca de 6 anos depois de seu primeiro ensaio filosófico, Nietzsche muda seu pensamento, transitando para uma crítica da "Filosofia da História" em que o filósofo visa combater o "sentido da história" em expressões que, outrora, utilizou. Buscaremos entender em que medida essa nova crítica não deixa ainda resquícios teleológicos na argumentação desses textos póstumos, sejam eles intencionais ou não. Defenderemos a tese de que as ideias de Nietzsche nesses escritos de juventude, ainda que se alterem ao longo dos anos, possuem uma coerência temática, um fio condutor, que o leva às suas preocupações e reflexões, muito bem determinadas pela época em que viveu.