Congresso UNIFESP 2026
PÓS-GRADUAÇÃO (stricto sensu)CIENCIAS BIOLOGICASTrabalho #23793

EFEITOS DE HEPARINAS QUIMICAMENTE MODIFICADAS NA ATIVIDADE ANTIANGIOGÊNICA EM CÉLULAS ENDOTELIAIS HUMANAS

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 3

Autores

ANA CAROLYNE IZU AKAMINE - AUTOR(A)BIANCA ALVES DE SOUSA - CO-AUTOR(A)HELENA BONCIANI NADER - CO-ORIENTADOR(A)JULIANA LUPORINI DREYFUSS REGATIERI - ORIENTADOR(A)NAIARA CLIMAS PEREIRA - CO-AUTOR(A)VICTOR LEONARDO RAMIRES DE MELO - AUTOR(A)

Resumo

INTRODUÇÃO:A angiogênese, formação de novos vasos sanguíneos a partir da vasculatura pré-existente, ocorre em diversas condições patológicas, incluindo câncer, neovascularização ocular e doenças cardiovasculares. Entre os principais mediadores desse processo está o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que promove proliferação, migração e sobrevivência de células endoteliais. Terapias anti-VEGF, como o Bevacizumabe, têm sido amplamente utilizadas para inibir a angiogênese; no entanto, estratégias alternativas capazes de modular múltiplas vias angiogênicas continuam sendo de grande interesse. Nesse contexto, heparinas quimicamente modificadas têm emergido como moléculas promissoras devido à sua capacidade de interagir com fatores de crescimento, componentes da matriz extracelular e receptores de superfície celular, modulando, assim, vias de sinalização envolvidas na angiogênese. OBJETIVO: Este estudo teve como objetivo investigar o potencial antiangiogênico de uma heparina quimicamente modificada ? heparina 6-O-dessulfatada (Hep6-DS) ? e avaliar seus efeitos modulatórios sobre respostas de células endoteliais, isoladamente ou em combinação com Bevacizumabe (Bev).MATERIAIS E MÉTODOS: Células endoteliais de veia umbelical humana (HUVEC) foram tratadas com diferentes concentrações da heparina 6-O-dessulfatada (Hep6-DS), isoladamente ou em combinação com bevacizumabe (Bev). A proliferação celular foi avaliada por meio do ensaio de incorporação de BrdU. A expressão gênica de Syndecan-4 e VEGF foi analisada por PCR quantitativo. A expressão proteica de Syndecan-4, FAK, VEGF e VEGFR2, bem como a organização dos filamentos de actina, foram avaliadas por imunofluorescência. A formação de estruturas semelhantes a capilares foi analisada em matriz de membrana basal reconstituída (Matrigel), enquanto a migração celular foi avaliada pelos ensaios de Wound Healing e Transwell. RESULTADOS E DISCUSSÃO:O tratamento com Hep6-DS reduziu significativamente a proliferação de células endoteliais em comparação ao grupo controle, tanto de forma isolada quanto em combinação com Bev. Além disso, Hep6-DS promoveu aumento da expressão gênica de Syndecan-4 e redução da expressão de VEGF. As análises de imunofluorescência corroboraram esses achados, evidenciando aumento da marcação de Syndecan-4 e FAK, associado à diminuição da intensidade de VEGF e VEGFR2 nas células tratadas. Alterações na organização dos filamentos de actina também foram observadas, sugerindo modulação da dinâmica do citoesqueleto e do comportamento angiogênico das células endoteliais. Adicionalmente, Hep6-DS inibiu a formação de estruturas semelhantes a capilares em diferentes concentrações, especialmente quando combinada com Bev. O tratamento também reduziu significativamente a migração celular, tanto em resposta ao estímulo quimiotático quanto no ensaio de cicatrização. CONCLUSÃO: As heparinas quimicamente modificadas modulam mecanismos-chave da angiogênese, inibindo a proliferação e migração endotelial, bem como a sinalização mediada por VEGF. Esses achados destacam as heparinas quimicamente modificadas como estratégias terapêuticas promissoras, tanto isoladas quanto sinérgicas, para a angiogênese patológica, enquanto sua reduzida atividade anticoagulante representa uma vantagem importante ao potencialmente minimizar efeitos colaterais relacionados a sangramentos e aumentar a segurança terapêutica.