ESTRUTURA DE TELEOFTALMOLOGIA INTEGRADA PARA EMERGÊNCIAS OCULARES: DESENHO E IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO GAT9
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Resumo
Introdução: A cidade de São Paulo, com população estimada em 11,45 milhões de habitantes, enfrenta um desequilíbrio assistencial crítico na rede de urgência oftalmológica. Atualmente, apenas cinco unidades municipais oferecem atendimento especializado por demanda espontânea, o que gera barreiras geográficas e temporais ao cuidado. Levantamentos realizados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES/DATASUS) evidenciam vazios assistenciais em distritos periféricos de alta densidade, onde a proporção de pontos de acesso primário é de apenas um para cada 2 milhões de pessoas. Essa carência resulta em sobrecarga dos hospitais gerais, que, operando sem oftalmologistas presenciais, têm dificuldades na identificação precoce de casos graves, o que pode levar a atrasos diagnósticos e desfechos visuais desfavoráveis. Objetivo: Avaliar a implementação de um projeto piloto de telessaúde em oftalmologia no pronto-atendimento do Hospital Geral de Pedreira (São Paulo) e, em paralelo, validar o Sistema de Priorização de Urgências Oculares (SPUO) como ferramenta de estratificação de risco clínico. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo prospectivo de implementação e validação, conduzido pelo Grupo de Aprendizagem Tutorial (GAT9) do Projeto do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde: Informação e Saúde Digital (PET-Saúde: I&SD) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O projeto articula-se em dois eixos simultâneos: o eixo de implementação que avalia a viabilidade operacional de um fluxo de telemedicina no qual equipes generalistas realizam anamnese padronizada e documentam os segmentos anterior e posterior com o retinógrafo portátil Eyer; e o eixo de validação que testa concorrentemente o SPUO, que pontua, de 0 a 21, os atendimentos com base em sinais fundamentais (perda visual, dor, hiperemia, suspeita de globo aberto) e fatores modificadores (histórico cirúrgico, comorbidades). Com base no escore, os casos são classificados em Emergência (?10 pontos; teleconsulta síncrona), Urgência (5-9 pontos; avaliação assíncrona em até 24h) e Não urgente (0-4 pontos; seguimento programado). A validação mensura a acurácia, a sensibilidade e a especificidade da ferramenta, enquanto a avaliação da implementação analisa a adequação do fluxo clínico e a qualidade técnica das imagens obtidas por não especialistas. Resultados: A análise retrospectiva de base (2025) do Hospital Geral de Pedreira registrou 163.293 atendimentos de emergência, dos quais 1.102 (0,67%) apresentaram queixas oftalmológicas, confirmando a demanda por suporte especializado. A fase prospectiva do piloto teve início em maio de 2026. A coleta de dados ativa avalia métricas práticas da implementação, como o tempo de resposta do sistema e a taxa de sucesso na captura de imagens no pronto-socorro, e, simultaneamente, correlaciona a pontuação inicial do SPUO com o diagnóstico oftalmológico de referência, buscando determinar a precisão e a segurança da ferramenta de triagem em um cenário do mundo real. Conclusão: O projeto propõe uma solução estruturada em duas frentes para mitigar a escassez de cobertura oftalmológica. Ao demonstrar a viabilidade operacional do uso de dispositivos portáteis e, em paralelo, ao validar um escore objetivo de priorização clínica, a iniciativa fornece uma base sólida para a otimização de sistemas regulatórios (CROSS/CISREG). Este modelo integrado visa reduzir o gargalo assistencial e garantir acesso célere aos centros de referência para pacientes com risco iminente à visão.
