A INFINITA HISTÓRIA DAS COISAS: SOFIA BORGES E A IMAGEM FOTOGRÁFICA DOS CORPOS
Autores
Resumo
A pesquisa de Doutorado analisa a produção imagética da artista e curadora Sofia Borges (1984), especialmente através dos processos de apropriação, corte e montagem de imagens fotográficas. A partir do estudo de seus trabalhos, será debatida a nova história da fotografia, em diálogo com obras da história da arte e com o próprio arquivo fotográfico da artista, politizando a arte contemporânea e alargando seus limites de compreensão. Ademais da análise imagética, que obtém primazia e destaque na presente pesquisa, foi empreendida pesquisa bibliográfica sobre os textos críticos e analíticos da obra da artista, com a mobilização de autoras e autores que constroem a crítica da fotografia no momento atual, além da visita às instituições de arte onde os trabalhos foram exibidos, com o estudo dos seus respectivos catálogos de exposição. Realizamos as análises a partir das obras dos teóricos da fotografia, como Walter Benjamin, Susan Sontag, Philippe Dubois, Rosalind Krauss, Roland Barthes, John Berger e Georges Didi-Huberman, com destaque para os estudos de Annateresa Fabris, Ariella Aïsha Azoulay e Charlotte Cotton. Analisamos as imagens realizadas para seu projeto vencedor da Bolsa ZUM/IMS, A infinita história das coisas ou o fim da tragédia do um, nome utilizado posteriormente em sua cocuradoria para a 33ª Bienal de São Paulo, Afinidades Afetivas, em 2008. Realizamos uma abordagem crítica de seus trabalhos híbridos e instalativos, em diálogo com a sua produção artística, analisando as montagens propostas, promovidas pela mestiçagem de linguagens, rompendo com as estruturas tradicionais de exibição através do uso do espaço expositivo e da expografia construída dentro do Pavilhão da Bienal. Na sequência, estudamos as imagens fotográficas feitas pela artista dos parlamentares no Plenário do Senado Federal e na galeria de ex-presidentes desta Casa Legislativa em 2017, no ano seguinte ao impeachment impetrado contra a presidenta Dilma Rousseff. Na série A máscara, o gesto, o papel, exibida na inauguração do Instituto Moreira Salles (IMS) na capital paulista, em 2017, na exposição Corpo a corpo: A disputa das imagens, da fotografia à transmissão ao vivo, a artista explorou o gesto artístico como ato político através dos cortes realizados, destacando a predominância masculina em contextos de poder, problematizando questões de representatividade e escancarando o teatro político nas negociações dos altos escalões. Mais uma vez as questões sociais, de classe e de gênero são debatidas nas fotografias realizadas do conjunto escultórico do francês Edgar Degas (1834/1917) para a exposição Degas: Dança, política e sociedade, exibida no MASP no final de 2020. Analisamos notadamente os corpos das jovens dançarinas como resistência e luta, demonstrando o embate ao sistema patriarcal vigente na Paris do século XIX, sobretudo da Bailarina de Catorze Anos, única escultura exibida por Degas em vida. Desta feita, verificamos como suas obras alargam os limites e tensionam as fronteiras tradicionais da história da arte, concedendo novas perspectivas para a análise de obras icônicas e tradicionais, trazendo para o debate das suas produções imagéticas os desafios sociais, políticos e de gênero em nossas vivências na contemporaneidade.
