Congresso UNIFESP 2026
INICIAÇÃO CIENTÍFICA - VOLUNTÁRIOCIÊNCIAS DA SAÚDETrabalho #24204

EFEITO DO TRANSPLANTE MITOCONDRIAL NA RESSENSIBILIZAÇÃO DE CÉLULAS TUMORAIS RESISTENTES AO SUNITINIBE

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 3

Autores

BRUNO ARISTIDES DOS SANTOS BRONEL - CO-AUTOR(A)EDGAR MAQUIGUSSA - ORIENTADOR(A)GIOVANNA DE SANTANA - CO-AUTOR(A)LIANDRA FERREIRA MINHOS RAMOS - CO-AUTOR(A)MIRIAN APARECIDA BOIM - ORIENTADOR(A)NIKOLAS MELIS WAACK SAMPAIO - CO-AUTOR(A)THéRON KALVAITIS - AUTOR(A)

Resumo

Introdução: O carcinoma renal de células claras (ccRCC) representa um grande desafio clínico, caracterizado por seu elevado potencial metastático, prognóstico desfavorável e frequente resistência adquirida aos inibidores da tirosina quinase (TKIs), incluindo o Sunitinibe. Um dos fatores que está intrinsecamente associado a essa resistência é a reprogramação metabólica, conhecida como efeito Warburg, na qual as células tumorais priorizam a glicólise aeróbica em detrimento da fosforilação oxidativa, favorecendo a sobrevivência celular e a evasão da apoptose. Nesse contexto, a disfunção mitocondrial e a supressão da via apoptótica intrínseca são fatores relevantes para a manutenção do fenótipo resistente. Objetivo: Avaliar se o transplante de mitocôndrias funcionais, provenientes de células tubulares renais saudáveis (HK-2), é capaz de restaurar a sensibilidade das células de ccRCC resistentes ao Sunitinibe. Material e Métodos: Foram utilizadas células da linhagem tumoral de ccRCC (Caki-1) submetidas a um protocolo de indução de resistência ao Sunitinibe (25µM) por exposição contínua durante 24 semanas. Após este período, foi avaliada a viabilidade celular para comprovar a resistência. As mitocôndrias foram isoladas de células HK-2, e sua viabilidade foi avaliada por marcação com Mitotracker. A confirmação do isolamento mitocondrial foi realizada por Western Blot, utilizando proteínas mitocondriais específicas, como TOMM20 e VDAC. Para o pré-tratamento, foram utilizadas 2x106 células Caki-1 resistentes, incubadas com diferentes cargas de mitocôndrias isoladas das células doadoras HK-2. As mitocôndrias foram obtidas a partir de 1x106, 2x106, 3x106 e 4x106 células HK-2. O pré-tratamento foi realizado por 3 horas, e em seguida, as células foram tratadas com Sunitinibe por 24 horas. Após esse período, a morte celular foi avaliada por citometria de fluxo, utilizando o reagente Zombie. Resultados: Inicialmente, foi confirmada a geração da linhagem Caki-1 resistente ao sunitinibe. Após 24 semanas de exposição contínua ao fármaco, a viabilidade celular foi avaliada e não foi observada redução significativa nas células tratadas com sunitinibe em comparação ao controle, confirmando a aquisição do fenótipo de resistência. Em seguida, foi avaliado o efeito do transplante mitocondrial sobre a sensibilidade ao Sunitinibe. A associação do transplante mitocondrial ao tratamento com Sunitinibe aumentou significativamente a porcentagem de morte celular em todas as cargas mitocondriais avaliadas. Não foram observadas diferenças aparentes entre as diferentes cargas mitocondriais, sugerindo ausência de efeito dose-dependente nas condições testadas. Conclusão: O transplante mitocondrial sensibilizou as células resistentes ao Sunitinibe, aumentando a morte celular e sugerindo uma possível reversão parcial do fenótipo resistente.