Congresso UNIFESP 2026
INICIAÇÃO CIENTÍFICA - PIBIC CNPQCIÊNCIAS DA SAÚDETrabalho #24279

TRANSPLANTE RENAL EM PESSOAS VIVENDO COM HIV: COMPARANDO DUAS ERAS DA TERAPIA ANTIRRETROVIRAL E DA IMUNOSSUPRESSÃO DE INDUÇÃO

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 3

Autores

ISABELA SCHNEIDER LONGO - AUTOR(A)LUCIO REQUIAO-MOURA - ORIENTADOR(A)

Resumo

Embora a imunossupressão no transplante renal (TR) entre pessoas vivendo com HIV (PVHIV) gere preocupações, o transplante proporciona melhores desfechos do que a diálise. Os principais desafios incluem a segurança da terapia de indução com depleção linfocitária e as interações medicamentosas entre inibidores de protease (IP) e inibidores da calcineurina (ICN). Com a recente mudança para esquemas antirretrovirais (TARV) livres de IP, este estudo compara os desfechos do transplante em dois períodos: alto uso de IP com baixa terapia de indução (Período 1) versus baixo uso de IP com alta terapia de indução (Período 2). Este estudo de coorte de centro único incluiu 84 PVHIV submetidas a TR entre 2010 e 2023: 2010-17, Período 1 (n=36), e 2018-2023, Período 2 (n=48). A terapia de indução consistiu em uma dose única de 3,0 mg/kg de timoglobulina. A imunossupressão de manutenção incluiu corticosteroides, um ICN e micofenolato/azatioprina. Os desfechos foram rejeição aguda (RA) e sobrevida do enxerto em 1 ano (SE-1ano), avaliados por Kaplan-Meier e regressão de Cox. No geral, os receptores tinham 45,2 anos, dois terços eram do sexo masculino e 54% eram brancos. O tempo mediano em diálise antes do transplante foi de 3,1 anos. Apenas três transplantes foram de doadores vivos, todos realizados no Período 2. Vinte pacientes estavam recebendo IPs, com redução marcante ao longo do tempo (17 [47,2%] no Período 1 vs. 3 [6,3%] no Período 2; p < 0,001). Timoglobulina foi utilizada em 63 pacientes, com aumento substancial no Período 2 (14 [44,4%] vs. 47 [97,9%]; p < 0,001). A incidência global de RA foi de 3,6%, semelhante em ambos os períodos: 2,8% vs. 4,2%, respectivamente, p = 0,61. A SE-1ano foi de 94,0% e não diferiu entre os períodos: 94,4% vs. 91,7%, respectivamente (p = 0,57). Os receptores no Período 2 eram mais velhos (48,8 vs. 41,8 anos, p=0,003). Após ajuste para idade em um modelo de regressão de Cox, não houve associação entre o período e perda do enxerto: HR para Período 1 vs. Período 2 = 1,18; IC 95% 0,20?7,41; p = 0,85. O TR em PVHIV apresentou excelentes desfechos de curto prazo em ambas as eras. A redução do uso de IP e o aumento da indução não alteraram a SE-1ano nem a RA, sustentando a segurança da TARV moderna com imunossupressão contemporânea e ampliando o acesso ao transplante para essa população.