MUDANÇA NO ÍNDICE DE PERFUSÃO DERIVADO DO SINAL PLETISMOGRÁFICO DA OXIMETRIA DE PULSO COMO PREDITOR DE FLUIDORRESPONSIVIDADE EM PACIENTES CRÍTICOS
Autores
Resumo
Introdução: A administração de fluidos é uma intervenção frequente em pacientes críticos com instabilidade hemodinâmica e hipoperfusão tecidual, com o objetivo de aumentar o débito cardíaco e, consequentemente, a oferta de oxigênio aos tecidos. Entretanto, nem todos os pacientes apresentam aumento do débito cardíaco após a expansão volêmica, e a administração excessiva de fluidos pode estar associada a congestão sistêmica e pulmonar, edema intersticial e piores desfechos clínicos. Assim, métodos simples, reprodutíveis e de ampla disponibilidade para avaliar a responsividade a fluidos podem contribuir para uma terapia volêmica mais individualizada. O índice de perfusão periférica (IPP), derivado do sinal pletismográfico da oximetria de pulso, representa a relação entre os componentes pulsátil e não pulsátil do fluxo sanguíneo periférico e pode refletir alterações do volume sistólico e do tônus vascular periférico. Por ser uma variável não invasiva, contínua e disponível em monitores multiparamétricos, o IPP apresenta potencial utilidade como ferramenta complementar na avaliação da resposta à expansão volêmica. Objetivo: Avaliar se alterações do IPP após infusão de fluidos são capazes de diferenciar pacientes críticos respondedores e não respondedores à expansão volêmica. Materiais e métodos: Trata-se de estudo observacional, prospectivo, conduzido no Setor de Terapia Intensiva da Disciplina de Medicina Intensiva do Hospital São Paulo, Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo. Estão sendo incluídos pacientes adultos internados em unidade de terapia intensiva, em ventilação espontânea ou mecânica, submetidos à infusão de fluidos por indicação do médico assistente. São excluídas gestantes, pacientes com instabilidade do sinal pletismográfico ou ausência de medidas adequadas da velocidade integral-tempo (VTI). Não há intervenção adicional ao tratamento assistencial. São coletados dados demográficos, clínicos e hemodinâmicos antes e após infusão de 500 mL de cristaloide em 15 minutos, incluindo frequência cardíaca, pressão arterial média, tempo de enchimento capilar, IPP e VTI obtida por ecocardiografia com Doppler pulsátil. A responsividade a fluidos é definida como aumento da VTI ?15% após a expansão volêmica. A capacidade preditiva das variações do IPP será avaliada por curva ROC, com identificação do melhor ponto de corte pelo índice de Youden, após a conclusão da coleta. Como análises secundárias, serão avaliadas as alterações do tempo de enchimento capilar e a correlação entre as variações do IPP e do tempo de enchimento capilar. Resultados e andamento da pesquisa: O estudo encontra-se em andamento. A inclusão do primeiro paciente ocorreu em 24 de setembro de 2025 e, desde o início efetivo da coleta, o recrutamento segue na velocidade esperada, sem intercorrências operacionais, dificuldades relevantes de inclusão ou problemas relacionados à execução do protocolo. Até o momento, foram incluídos 31 pacientes na análise preliminar. Desses, 9 (29,0%) foram classificados como respondedores e 22 (71,0%) como não respondedores, utilizando o critério de aumento da VTI ?15%. A média do SAPS 3 foi de 47,8 e a média do SOFA foi de 3,0, indicando inclusão de população crítica. Por se tratar de análise preliminar, ainda não foram realizadas inferências definitivas sobre acurácia diagnóstica, pontos de corte ou correlação entre variáveis. Conclusão: A pesquisa encontra-se em fase de coleta e análise preliminar, com andamento adequado e sem problemas operacionais até o momento. A continuidade do recrutamento permitirá completar o tamanho amostral previsto e avaliar, de forma mais robusta, se a variação do IPP pode ser utilizada como marcador não invasivo complementar para identificação de responsividade a fluidos em pacientes críticos.
