Congresso UNIFESP 2026
PÓS-GRADUAÇÃO (stricto sensu)CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADASTrabalho #24415

ASPECTOS DA GLOBALIZAÇÃO E ZONAS DE CONTATO

Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (Osasco)
ODS 10

Autores

REBECA JÚLIA RODRIGUES LINO DOS SANTOS - AUTOR(A)RODRIGO MEDINA ZAGNI - ORIENTADOR(A)

Resumo

O artigo analisa a globalização como um processo histórico complexo, marcado por profundas assimetrias de poder, disputas políticas e transformações econômicas, sociais e culturais. Partindo da crítica às abordagens que a apresentam como fenômeno homogêneo, neutro ou inevitável, o trabalho dialoga com contribuições teóricas de Milton Santos, Boaventura de Sousa Santos, Octavio Ianni, Edward Said, Mary Louise Pratt e Gilbert M. Joseph, com o objetivo de compreender as dinâmicas hegemônicas e contra-hegemônicas que estruturam o sistema internacional contemporâneo. Inicialmente, discute-se a globalização a partir da noção de ?globalização perversa?, fundamentada na tirania do dinheiro e da informação e sustentada por um pensamento único que legitima hierarquias. Em seguida, são examinadas leituras críticas aos discursos civilizatórios, especialmente aqueles que reforçam dicotomias entre ?nós? e ?eles?, evidenciando seus impactos simbólicos e políticos. O artigo também incorpora a perspectiva de Boaventura de Sousa Santos, que propõe compreender a globalização no plural, distinguindo entre localismo globalizado, globalismo localizado e formas contra-hegemônicas de articulação global. A análise é aprofundada com a contribuição de Octavio Ianni, que interpreta a globalização como expressão da internacionalização do capitalismo e da centralidade do mercado financeiro na reorganização das relações entre Estado, mercado e sociedade. Por fim, o texto mobiliza o conceito de zonas de contato, formulado por Mary Louise Pratt e desenvolvido por Gilbert M. Joseph, como chave analítica para compreender os espaços concretos nos quais as dinâmicas globais se materializam. Nesses contextos, marcados por desigualdades estruturais, observam-se conflitos, negociações, traduções culturais e formas de resistência que revelam o caráter relacional, contraditório e historicamente situado da globalização. Conclui-se que a globalização não se impõe de forma linear, mas é continuamente reinterpretada e disputada nas interações entre forças globais e realidades locais.