O IDENTITARISMO E NOSSA FRAGMENTAÇÃO SOCIOPOLÍTICA ENQUANTO CLASSE: A CRISE DAS LUTAS SOCIAIS SOB HEGEMONIA NEOLIBERAL
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Resumo
A pesquisa se desenvolve no decorrer dos intensos debates que andam permeando as discussões sociais críticas acerca do papel das identidades dentro das lutas sociais no contexto neoliberal. A emergência das políticas de identidade representa um importante desenvolvimento teórico, político e prático no interior das lutas sociais contemporâneas, ao tensionar a universalidade da classe trabalhadora como categoria única de motivação das mobilizações políticas e de cunho revolucionário, tradicionalmente concebida pelo marxismo clássico e com forte influência da práxis soviética. Assim evidenciam que a experiência da exploração capitalista é atravessada por determinações específicas de raça, gênero, sexualidade e outras formas de opressão das quais permeiam as condições de vida da classe trabalhadora, mas que historicamente foram excluídos dos discursos de classe. No entanto, o fortalecimento dessas agendas não pode ser compreendido de maneira dissociada das transformações estruturais promovidas pelo capitalismo tardio e pela ofensiva neoliberal nas últimas décadas. O declínio das experiências do chamado socialismo real, somado à ofensiva neoliberal como projeto hegemônico que para conter novas formas de mobilização unificada da classe trabalhadora, favoreceu a ascensão de formas de mobilização centralizadas no reconhecimento das identidades de forma particular. Nesse sentido, observa-se um deslocamento de estratégias políticas voltadas à construção de projetos societários amplo para formas de atuação frequentemente concentradas na representação simbólica e no reconhecimento institucional de grupos específicos. Através do método marxiano materialista histórico-dialético, a pesquisa se desenvolve por meio de revisão bibliográfica e análise documental a fim de analisarmos o identitarismo como fenômeno historicamente situado e que se articula nas particularidades da realidade brasileira. Sob a égide neoliberal, determinadas expressões tradicionais das lutas sociais estão sendo incorporadas à lógica de reprodução do capital, convertendo pautas legítimas de emancipação em mecanismos compatíveis com os interesses do mercado. Esse processo de cooptação manifesta-se na valorização da diversidade como ativo econômico e na substituição das transformações estruturais por políticas de inclusão restritas aos espaços de representação. Consequentemente, a centralidade conferida às identidades contribui para a fragmentação das lutas coletivas e para o enfraquecimento da articulação política entre os diversos segmentos da classe trabalhadora. Assim, a pesquisa pretende endossar os debates acerca das relações entre o marxismo, a identidade e os movimentos sociais no séc. XXI, analisando as contradições presente nas políticas identitárias e seus limites para a construção de projetos emancipatórios. Ao mesmo tempo, reconhece a relevância das lutas contra as opressões específicas, defendendo a necessidade de articulá-las à perspectiva anticapitalista capaz de promover a unificação da classe trabalhadora que fortalecerá os processos coletivos de transformação dos condicionantes estruturais que produzem e reproduzem as desigualdades sociais.
