EFEITO TARDIO DO ESTRESSE CRÔNICO MODERADO, INDUZIDO A PARTIR DA PERIPUBERDADE, SOBRE A BIOLOGIA TESTICULAR E A ESPERMATOGÊNESE DE RATOS ADULTOS, TRATADOS OU NÃO COM O ESCITALOPRAM
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Resumo
Introdução: De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão constitui um dos principais problemas de saúde pública no mundo. O número de crianças e adolescentes com depressão e ansiedade vem aumentando de modo expressivo. O escitalopram, um inibidor seletivo de recaptação da serotonina, é frequentemente prescrito no tratamento da depressão maior e de outros distúrbios psiquiátricos. Ele foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration, USA) para o tratamento de distúrbios psiquiátricos em crianças e adolescentes. O estresse crônico pode, por si só, comprometer parâmetros reprodutivos, como a função testicular, a qualidade espermática e os níveis hormonais, agravando ainda mais os efeitos indesejáveis de antidepressivos como o escitalopram. Escassos estudos experimentais avaliaram o papel do estresse crônico moderado imprevisível (ECMI) e do tratamento com escitalopram sobre a reprodução masculina, principalmente durante o período que se estende a partir da peripuberdade até a fase adulta. Pesquisa anteriormente desenvolvida em nosso laboratório mostrou que o ECMI, associado ou não à terapia com o escitalopram, pode causar alterações de parâmetros espermáticos qualitativos e quantitativos, ocasionando prejuízos à fertilidade masculina, além de redução nos níveis plasmáticos de testosterona, alterações do estado oxidativo testicular, epididimário e no espermatozoide. Entretanto, pouco se sabe sobre possíveis danos sobre o testículo e o processo espermatogênico na fase adulta, especialmente considerando o aumento do número de pacientes jovens em idade reprodutiva, e até mesmo adolescentes, que fazem uso destes medicamentos. Objetivos: O objetivo deste projeto foi avaliar os efeitos da exposição ao ECMI da peripuberdade até a fase adulta, associado ou não ao tratamento com escitalopram, sobre a estrutura testicular e o processo espermatogênico em ratos. Material e métodos: Foram utilizados 28 ratos machos Wistar, divididos em 4 grupos experimentais: Grupo ECMI (GE ? n=6); Grupo escitalopram (Ge, 10 mg/kg/dia, via gavagem ? n=6); Grupo ECMI escitalopram (GEe ? n=8); Grupo Controle Sham (GS, solução fisiológica 0,9%, via gavagem ? n=8). Foram realizadas análises morfométricas e estereológicas. As avaliações histopatológicas testiculares e da dinâmica do processo espermatogênico estão em andamento. Resultados: O grupo GEe apresentou redução significativa do peso absoluto e do volume testicular em relação ao grupo GS. O diâmetro dos túbulos seminíferos nos estágios andrógeno-dependentes, a densidade de comprimento e comprimento total dos túbulos seminíferos não apresentaram diferenças significativas entre os grupos experimentais. No entanto, houve aumento significativo na densidade de volume do espaço linfático no grupo GE, quando comparada ao grupo Ge, e redução no volume total do espaço linfático no grupo Ge em relação ao GS. Além disso, ocorreu redução do volume total do tecido intersticial no grupo GEe em comparação ao grupo Ge. Conclusão: Os resultados parciais sugerem que a exposição ao ECMI a partir da peripuberdade, acompanhada ou não do tratamento com escitalopram, promove alterações estruturais testiculares na fase adulta. Entretanto, o impacto foi mais evidente quando o ECMI foi associado ao tratamento com escitalopram, de forma que a interação entre estresse crônico e interferência na recaptação de serotonina pode comprometer a homeostase testicular.
