Congresso UNIFESP 2026
PÓS-GRADUAÇÃO (stricto sensu)CIÊNCIAS DA SAÚDETrabalho #24465

DINÂMICA EPIDEMIOLÓGICA DAS INFECÇÕES NOSOCOMIAIS POR SARS-COV-2 AO LONGO DAS DIFERENTES ONDAS DA COVID-19

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 3

Autores

DAYANA SOUZA FRAM - CO-AUTOR(A)DIOGO BOLDIM FERREIRA - CO-AUTOR(A)EDUARDO ALEXANDRINO SERVOLO DE MEDEIROS - ORIENTADOR(A)JOSNI TAUFFER - AUTOR(A)PAULO ROBERTO ABRAO FERREIRA - CO-AUTOR(A)THAIS CLAUDIA ROMA DE OLIVEIRA KONSTANTYNER - CO-AUTOR(A)

Resumo

As infecções nosocomiais por SARS-CoV-2 representaram importante desafio para os serviços de saúde durante a pandemia da COVID-19, especialmente em hospitais de alta complexidade submetidos à intensa pressão assistencial. O presente estudo teve como objetivo analisar a ocorrência de infecções nosocomiais por SARS-CoV-2 em pacientes internados em um hospital universitário, avaliando sua dinâmica temporal ao longo das diferentes ondas pandêmicas, bem como fatores associados à gravidade e letalidade. Trata-se de um estudo observacional de coorte retrospectiva realizado no Hospital São Paulo ? Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo (HSP-HU/Unifesp), abrangendo o período de março de 2020 a março de 2023. Foram incluídos pacientes com diagnóstico confirmado de infecção por SARS-CoV-2 por RT-PCR após pelo menos 24 horas de internação hospitalar. Os casos foram classificados conforme critérios adaptados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Foram analisadas variáveis demográficas, clínicas, assistenciais e epidemiológicas, incluindo idade, sexo, Índice de Comorbidades de Elixhauser, necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI), ventilação mecânica invasiva (VMI) e mortalidade hospitalar. Utilizaram-se análises descritivas, regressão logística, regressão Beta, correlação de Spearman e análise de correlação cruzada para avaliação da dinâmica temporal. Entre 3.791 exames RT-PCR avaliados, foram identificados 281 casos de infecção nosocomial por SARS-CoV-2 (7,1%), com mediana de detecção no 16º dia de internação. A média de idade foi de 57,8 anos e houve predominância do sexo masculino (58%). Dentre os casos, 63% foram classificados como infecção nosocomial confirmada e 37% como possível infecção nosocomial. Aproximadamente 25% dos pacientes permaneceram assintomáticos, sendo identificados por protocolos institucionais de vigilância. Entre os sintomáticos, os sintomas mais frequentes foram dispneia (61,4%), tosse (43,8%) e febre (42,3%). A mediana de permanência hospitalar foi de 35 dias. Cerca de 60% dos pacientes necessitaram de internação em UTI e 69% evoluíram com síndrome do desconforto respiratório agudo, necessitando de ventilação mecânica invasiva. Foram registrados 134 óbitos, correspondendo a uma letalidade de 47,6%. A maior densidade de incidência ocorreu em junho de 2020, com 3,48 casos por 1.000 pacientes-dia, seguida por redução progressiva ao longo da pandemia, especialmente após o início da vacinação contra a COVID-19 e a consolidação das medidas institucionais de biossegurança. A análise temporal demonstrou associação entre a circulação viral comunitária e a ocorrência subsequente de infecções nosocomiais, sugerindo influência da pressão epidemiológica externa sobre os desfechos hospitalares. Na análise multivariada, idade (OR=1,016; p=0,0337), escore de Elixhauser (OR=1,48; p=0,0011) e necessidade de ventilação mecânica invasiva (OR=3,2; IC95%: 2,0?5,1) foram identificados como preditores independentes de mortalidade hospitalar. O escore de Elixhauser também se associou à necessidade de UTI e ventilação mecânica invasiva. Conclui-se que as infecções nosocomiais por SARS-CoV-2 apresentaram maior impacto nas fases iniciais da pandemia, com redução sustentada após a implementação da vacinação e o fortalecimento das medidas de prevenção e controle de infecção. A letalidade foi determinada pela interação entre fatores individuais, como idade e carga de comorbidades, e fatores contextuais relacionados à intensidade da circulação viral comunitária.