REINÍCIO DE TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA APÓS A FALÊNCIA DO ENXERTO RENAL EM DIÁLISE PERITONEAL OU HEMODIÁLISE: CARACTERÍSTICAS DOS PACIENTES E CHANCE DE RETRANSPLANTE
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Resumo
Introdução: O transplante renal representa atualmente a melhor alternativa de tratamento para indivíduos com Doença Renal Crônica, superando outras opções em termos de expectativa de vida, qualidade de vida e viabilidade econômica para a saúde pública. No entanto, apesar dos avanços, o sucesso a longo prazo ainda enfrenta obstáculos, sendo a falência crônica do enxerto um dos principais motivos de falha. Quando isso acontece, os pacientes precisam regressar a uma das formas de terapia renal substitutiva (TRS): hemodiálise (HD) ou diálise peritoneal (DP). Nota-se que a DP é subutilizada, correspondendo a menos de 5% das escolhas tanto para quem inicia o tratamento quanto, para quem retorna após a perda do rim. Objetivo: Avaliar as características dos pacientes que reiniciaram TRS após a perda do enxerto e comparar o perfil de acordo com o tipo de TRS, bem como a probabilidade de retransplante em até 5 anos de seguimento. Métodos: Trata-se de um estudo de coorte retrospectiva, que incluiu receptores de transplante de rim com falência do enxerto renal, que retornaram para a diálise no período entre janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2019 no Hospital do Rim. O tempo de observação foi de 5 anos. O desfecho principal para esta análise foi o retransplante. As chances de retransplante foram estimadas por Kaplan-Meier e comparadas por Logrank e a associação por Regressão de Cox. A análise foi realizada através de intenção de tratamento, ou seja, considerando a modalidade de TRS inicial. Resultados: Dos 110 pacientes incluídos, 46 (41,8%) iniciaram TRS em DP e 64 (58,2%) em HD. A idade mediana foi de 45,4 anos no grupo DP e 49,1 anos no grupo HD (p=0,81), enquanto a proporção de mulheres foi de 56,3% e 49,1% (p=0,19), respectivamente. A causa da perda do enxerto foi imunológica (rejeição aguda ou IF/TA imune) em 49,0% dos pacientes em DP e em 54,3% daqueles em HD (p=0,52). Os pacientes que iniciaram TRS por DP tinham maior tempo de transplante do que os que iniciaram em HD: 128 vs. 81,5 meses, p= 0,003. A TFG no momento do reinício da diálise foi semelhante entre os grupos [9,8 versus 9,2 mL/min/1,73m²; p=0,07], assim como os níveis séricos de potássio [4,5 versus 4,7 mEq/L; p=0,55]. Entretanto, os pacientes que iniciaram HD apresentaram maiores níveis de ureia [180 versus 140 mg/dL; p=0,01] e menores níveis de hemoglobina [9,2 versus 10,1 g/dL; p=0,02]. Durante o seguimento de até cinco anos, a probabilidade de retransplante foi semelhante entre os grupos, ocorrendo em 18,7% dos pacientes que iniciaram a TRS em DP e 17,3% daqueles que iniciaram em HD (p=0,88). Da mesma forma, não houve associação entre a modalidade inicial de TRS e a chance de retransplante (HR=0,86; IC95% 0,35?2,11; p=0,75). Conclusão: Os pacientes que iniciaram TRS em DP tinham mais tempo de transplante e um perfil metabólico demonstrando melhor nível de hemoglobina e menores taxas de ureia. A chance de retransplante em até 5 anos foi semelhante. Os dados de óbito estão em fase de auditoria para análise da sobrevida do método e do paciente.
