IMPACTO DA COVID LONGA TRÊS ANOS APÓS O SEU DIAGNÓSTICO NA QUALIDADE DE VIDA E NO ÍNDICE DE MASSA CORPÓREA DE RECEPTORES DE TRANSPLANTE RENAL.
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Resumo
Introdução: A COVID Longa é caracterizada pela persistência de sintomas após a fase aguda da infecção, impactando negativamente a funcionalidade e a qualidade de vida. Em receptores de transplante renal (RTR), ainda existem poucos dados sobre sua associação com parâmetros antropométricos e risco cardiometabólico. Considerando a vulnerabilidade clínica dessa população, a identificação de alterações funcionais e metabólicas torna-se relevante para o seguimento longitudinal desses pacientes. Métodos: Foi realizada análise observacional descritiva utilizando registros da coorte RENEW. Foram incluídos pacientes com o preenchimento do questionário EuroQol-5 Dimensions (EQ-5D-5L) completo, antropometria completa e peso/altura disponíveis para cálculo do índice de massa corporal (IMC). Os pacientes foram comparados conforme presença ou ausência de diagnóstico de COVID Longa três anos após o seu diagnóstico. Resultados: Foram incluídos 172 pacientes transplantados renais, sendo 76 com COVID Longa e 94 sem COVID Longa. O grupo com COVID Longa apresentou menor percepção global de saúde, evidenciada por menor média do EQ-VAS (68,1 ± 21,1 versus 73,4 ± 19,8). Além disso, observou-se maior frequência de limitações em mobilidade (59,2% versus 39,4%), atividades usuais (32,9% versus 23,4%) e dor/desconforto (71,1% versus 40,4%) no grupo com COVID Longa. Em relação aos parâmetros antropométricos, houve tendência a maiores valores de IMC (27,4 ± 4,5 kg/m² versus 26,6 ± 4,7 kg/m²), circunferência de cintura (91,9 ± 11,2 cm versus 90,5 ±11,2 cm) e circunferência abdominal (97,2 ± 13,2 cm versus 95,2 ± 12,8 cm) entre pacientes com COVID Longa. Conclusão: Nesta análise preliminar, RTR com COVID Longa apresentaram pior percepção global de saúde e maior frequência de limitações em dimensões relacionadas à funcionalidade e ao desconforto físico. Embora os parâmetros antropométricos tenham sido semelhantes entre os grupos, observou-se tendência a maior adiposidade central nos pacientes com COVID Longa, mesmo três anos após o seu diagnóstico. Esses achados reforçam a importância da avaliação integrada da qualidade de vida e antropometria nessa população, sendo necessários estudos inferenciais adicionais para confirmação das associações observadas.
