GEOTECNOLOGIAS APLICADAS AO PLANEJAMENTO AMBIENTAL DE BACIAS HIDROGRÁFICAS EM CONTEXTOS URBANOS PERIFÉRICOS NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO/SP
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Resumo
A bacia hidrográfica do córrego Jacu, área de estudo dessa pesquisa científica, está localizada em uma área periférica da Zona Leste do município de São Paulo (SP) e é um importante afluente do Rio Tietê. Tem como hidrografia principal os córregos Jacu e Rio Verde e afluentes como o córrego Limoeiro e Jacupeva. É uma bacia bastante ocupada e povoada, com cerca de com 447.209 habitantes e 179.533 domicílios (IBGE, 2022) e predominância de uso residencial horizontal, existindo áreas de risco sujeitas a inundações (São Paulo, 2016). A bacia hidrográfica como unidade de estudo, planejamento e gestão é relevante uma vez que abrange feições territoriais diversas, levando-se em conta a interação dos diferentes componentes e atores (político, econômico, social, natural e entre outros) com o território da bacia e suas águas, em um processo de apropriação que não se dá de maneira igualitária (Mateo-Rodriguez e Silva, 2013; Trombeta, 2013). Sendo assim, as interações de bacias urbanizadas, como a do Córrego Jacu, são complexas e denotam estudos que as considerem. As Geotecnologias permitem a coleta, processamento e o modelamento de dados geoespaciais, oferecendo subsídios para a compreensão de uma diversidade de fenômenos geográficos, além de permitir a representação do meio físico e dos recursos hídricos. Por isso, sua aplicação nos estudos de bacias hidrográficas é essencial, uma vez que permite a compreensão do estado socioambiental de suas áreas, contribuindo com o planejamento ambiental. Essa pesquisa tem como objetivo geral compreender como o uso das Geotecnologias contribuem para subsidiar a elaboração do planejamento ambiental de bacias hidrográficas em contextos urbanos periféricos no município de São Paulo/SP e tem como objetivo específico a aplicação das geotecnologias no levantamento e elaboração de mapeamentos físico-geográficos, bióticos e socioeconômicos para a bacia hidrográfica do córrego Jacu. Para contemplar tais objetivos, utiliza-se o método de análise integrada e de análise geoespacial, realizadas através do uso de técnicas e ferramentas do geoprocessamento para realização dos mapeamentos, a partir de dados de infraestruturas de dados abertos como o GeoSampa e o IBGE. Além disso, é realizado o levantamento e a revisão bibliográfica de conceitos e temas essenciais, como planejamento ambiental, bacias hidrográficas, periferia e geotecnologias. Os resultados alcançados através dos mapeamentos e análises realizadas identificam a ocupação das margens dos corpos d?água da bacia, com Áreas de Preservação Permanentes sem vegetação ciliar. A baixa cobertura vegetal é predominante na maior parte da bacia, o que somada a alta densidade populacional, inviabiliza que as funções ecossistêmicas da vegetação, como a regulação térmica e do ciclo hidrológico e melhoria da qualidade de vida, sejam garantidas à população da bacia. Além disso, os córregos possuem alterações diversas como canalizações ou trechos que estão enterrados no subterrâneo do município, e apesar de possuir trechos em estado natural, suas águas indicam estado de baixa qualidade. Essas características indicam desequilíbrios na dinâmica dos corpos d?água, que podem intensificar a erosão e o assoreamento, aumentando os riscos de inundações. De modo geral, o estado da bacia hidrográfica do córrego Jacu sugere um planejamento urbano e ambiental que negligencia as águas e a hidrografia do município, principalmente em contextos periféricos. É necessário que se faça um planejamento ambiental efetivo baseado em análises que levem em consideração as especificidades da área da bacia e da população que ali reside, podendo assim gerar melhorias no estado ambiental dos corpos d?água e consequentemente, para os habitantes e suas relações com os rios.
