Congresso UNIFESP 2026
PET-SAÚDE / PET-SAÚDE DIGITALMULTIDISCIPLINARTrabalho #24557

A INTERSECCIONALIDADE NO PET-SAÚDE EQUIDADE JUNTO ÀS TRABALHADORAS DA SAÚDE EM SÃO VICENTE

Reitoria
ODS 3ODS 4ODS 5ODS 10

Autores

ANDRÉ LUIZ VIEIRA DIAS - TUTOR(A)DEBORAH CHRISTINA ANTUNES - TUTOR(A)KAUA SOUZA MARQUES - PETIANO(A)VITORIA REGINA ARAUJO COSTA - PETIANO(A)

Resumo

Introdução: O PET-Saúde Equidade, iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação em parceria com universidades e municípios, busca fortalecer a integração ensino-serviço-comunidade e promover práticas formativas comprometidas com a equidade no SUS. Na Baixada Santista, o projeto envolve a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universidade Católica de Santos (UniSantos) e as gestões municipais de Santos, São Vicente e Guarujá. Este trabalho apresenta a experiência do Grupo 4, vinculado ao Eixo 1, desenvolvido junto ao município de São Vicente, com foco na valorização das trabalhadoras e futuras trabalhadoras do SUS. Parte-se da compreensão de que as condições de trabalho em saúde são atravessadas por desigualdades de gênero, raça, classe, vínculo empregatício, território e reconhecimento profissional. Objetivo: O objetivo do resumo é analisar como a abordagem interseccional contribuiu para identificar demandas, desigualdades e estratégias de valorização das/os trabalhadoras/es da saúde no contexto local. Materiais e métodos: A experiência foi desenvolvida por meio de um percurso formativo e interventivo articulado em diferentes etapas. Inicialmente, foram realizados estudos sobre equidade, trabalho em saúde e interseccionalidade, com ênfase nos marcadores de gênero, classe e raça. Em seguida, aplicou-se um formulário online voltado ao levantamento sociodemográfico, laboral e de saúde das/os trabalhadoras/es do SUS em São Vicente, divulgado por canais institucionais, e-mails e visitas aos serviços. Após a sistematização dos dados, o grupo realizou devolutivas em quatro serviços de diferentes níveis de atenção ? ESF Jardim Rio Branco, ESF Humaitá, CAPS Rio Branco e SAE ?, com o objetivo de discutir os resultados e construir reflexões coletivas. As estratégias metodológicas foram progressivamente ajustadas: de apresentações gráficas tradicionais, o grupo passou a utilizar dinâmicas participativas, como a ?Árvore Coletiva?, na qual as/os participantes registraram percepções, demandas e propostas em post-its. Também foram desenvolvidas atividades de escuta e produção de narrativas, além de oficinas temáticas sobre gênero, classe e raça, articulando formação, intervenção e educação permanente em saúde. Resultados: Foram registradas 770 respostas ao formulário, distribuídas nos eixos perfil, cuidado e trabalho. O perfil predominante foi composto por mulheres cisgênero brancas, dado que aponta para a necessidade de analisar, simultaneamente, presença feminina majoritária, desigualdades raciais, vínculos laborais e hierarquias ocupacionais no trabalho em saúde. As devolutivas evidenciaram que as experiências das trabalhadoras não são homogêneas, sendo atravessadas por maternidade, tipo de vínculo empregatício, condições salariais, infraestrutura dos serviços, segurança no trabalho, relações institucionais e reconhecimento profissional. Em diferentes serviços, emergiram questões como disparidades entre celetistas e estatutárias/os, dificuldades associadas à conciliação entre maternidade e trabalho, baixa remuneração, infraestrutura insuficiente, insegurança e situações percebidas como assédio moral. As narrativas individuais e coletivas permitiram qualificar os dados quantitativos, evidenciando dimensões subjetivas, relacionais e institucionais do cotidiano laboral. Como produto do percurso, foi elaborada uma cartilha voltada às trabalhadoras da região, lançada em março de 2026, além de um capítulo de livro em elaboração. A experiência reforça que a promoção da equidade no SUS exige não apenas qualificar o cuidado ofertado aos usuários, mas também reconhecer, escutar e valorizar as/os trabalhadoras/es que sustentam cotidianamente os serviços de saúde.