RACIOCÍNIO CLÍNICO EM PACIENTES COM MULTIMORBIDADE: CONTRIBUIÇÃO DE UMA LIGA ACADÊMICA DE MEDICINA INTERNA
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Resumo
A Liga Acadêmica de Medicina Interna é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 1998 (antigamente nomeada como Liga Acadêmica de Clínica Médica), com duração ilimitada, organizada pelos acadêmicos do curso de Medicina da Escola Paulista de Medicina e coordenada pelo Departamento de Medicina. A nossa visão é centrada em fornecer oportunidades de crescimento acadêmico, profissional e pessoal aos ligantes, associada à missão de aproximar o graduando de Medicina da prática ambulatorial e de outras vivências da Medicina Interna. Desde 1998, ano de sua fundação, a Liga Acadêmica de Medicina Interna (LAMI) tem sido um pilar na formação de futuros médicos na Escola Paulista de Medicina. Ao oferecer uma imersão profunda na prática ambulatorial, os integrantes acompanham de forma longitudinal os planos de cuidados de cada paciente e desenvolvem habilidades essenciais para a Medicina Interna. Em um cenário de crescente complexidade das doenças e da necessidade de um atendimento humanizado, a LAMI se destaca por preparar os estudantes não apenas tecnicamente, mas também em suas habilidades socioemocionais, visando um cuidado integral e de qualidade. Apresenta-se os objetivos de aproximar o aluno de medicina da prática ambulatorial vivenciando o acompanhamento longitudinal dos pacientes; aprender a conduzir um atendimento de alta complexidade, desenvolvendo suas habilidades semiotécnicas e de raciocínio clínico; desenvolver habilidades socioemocionais que permitam criação de vínculo com o paciente, maior empatia e, consequentemente, aumentando a qualidade dos atendimentos; troca de conhecimentos entre os membros de anos distintos presentes em cada trio, residentes e preceptores, promovendo diferentes estratégias de aperfeiçoamento do conhecimento médico na trajetória dentro da liga. A atividade principal da liga baseia-se na realização de atendimentos ambulatoriais às terça-feiras no Centro Alfa. As consultas são realizadas por trios: um aluno do 3° ano, um aluno do 4° ano e um aluno do 5° ano, promovendo a integração entre diferentes níveis de formação e estimulando o aprendizado colaborativo. Durante os atendimentos, o trio é responsável por discutir o caso clínico e construir conjuntamente o raciocínio diagnóstico e terapêutico de pacientes de alta complexidade. Esses pacientes frequentemente apresentam múltiplas comorbidades e condições crônicas concomitantes, cuja interação torna insuficiente a simples aplicação das diretrizes voltadas para doenças isoladas. Dessa forma, os estudantes são desafiados a desenvolver um raciocínio clínico integrativo e correlacional, considerando a confluência das diversas patologias, seus tratamentos, potenciais interações e impactos globais sobre a saúde do paciente. A partir dessa análise, elaboram um plano de cuidado individualizado, centrado nas necessidades específicas de cada caso, com auxílio dos preceptores. Com isso, é realizado o acompanhamento longitudinal do paciente, de modo que os alunos atendem os mesmos pacientes durante o ciclo de 2 anos e meio na Liga, possibilitando a formação de vínculo e uma visão completa do atendimento ambulatorial. A Liga conta atualmente com cerca de 110 pacientes. A maioria é portadora de múltiplas comorbidades, que vão desde quadros comuns como Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM) a quadros mais complexos como pacientes reumatológicos e pacientes sobreviventes de câncer (?cancer survivor?). Além dos atendimentos, os alunos têm aulas quinzenais sobre temas recorrentes na prática médica e a imersão em semiologia, visitando o Hospital São Paulo com um aluno de ano letivo superior para aprofundar e aperfeiçoar as técnicas semiológicas, sendo essa atividade voltada para o aluno do terceiro ano letivo. Ademais, a Liga tem buscado inovações em suas atividades com novas propostas para 2026, como acompanhamento longitudinal de pacientes encaminhados do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) previamente tratados para câncer e resolução semestral da Prova Progresso, unindo os alunos de diferentes anos para discutir os casos clínicos junto com o professor responsável. Assim, espera-se o aumento da proficiência dos estudantes na realização de consultas de Medicina Interna; melhora das habilidades semiológicas e de raciocínio clínico entre os estudantes de medicina; desenvolvimento de habilidades socioemocionais; troca de conhecimento e oportunidades de ensino entre os estudantes dentro da liga; experiência de acompanhamento longitudinal do paciente para estudantes; exposição a diversos casos de pacientes, incluindo aqueles com múltiplas comorbidades e condições complexas; aquisição de conhecimento acadêmico complementar em tópicos de Medicina Interna.
