DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA FORMAÇÃO CONTINUADA NA INCLUSÃO DE ALUNOS COM TEA: VOZES DE PROFESSORES E FAMILIARES
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Resumo
Introdução: A Educação Inclusiva configura-se como um paradigma educacional fundamentado na garantia do acesso, permanência, participação e aprendizagem de todos os estudantes, reconhecendo a diversidade como elemento constitutivo do ambiente escolar e promovendo práticas pedagógicas comprometidas com os princípios da equidade, da inclusão e do respeito às singularidades humanas. Essa perspectiva rompe com modelos tradicionais de ensino centrados na padronização, homogeneização e classificação dos sujeitos, propondo a reorganização das práticas educativas e dos processos de ensino de modo a contemplar as múltiplas formas de aprender presentes na escola contemporânea. Nessa concepção, a diversidade deixa de ser compreendida como obstáculo ao processo educativo e passa a ser reconhecida como elemento potencializador das experiências de aprendizagem e das relações estabelecidas no contexto escolar. No cenário da Educação Inclusiva, a escolarização de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui-se como um dos desafios contemporâneos enfrentados pelos sistemas educacionais, exigindo a construção de estratégias pedagógicas capazes de atender às especificidades relacionadas aos processos de comunicação, interação social, desenvolvimento cognitivo e participação ativa desses estudantes no ambiente escolar. Considerando que os estudantes com TEA podem apresentar diferentes formas de expressão, compreensão e organização das informações, torna-se necessário o desenvolvimento de práticas pedagógicas que favoreçam a mediação, a acessibilidade e a construção significativa do conhecimento. No ensino de Língua Portuguesa, tais desafios tornam-se ainda mais evidentes, uma vez que o componente curricular envolve competências relacionadas à leitura, interpretação textual, oralidade, produção escrita e compreensão dos usos sociais da linguagem. Assim, a aprendizagem da língua ultrapassa a aquisição de regras gramaticais, assumindo papel fundamental na construção da autonomia, da comunicação e da participação social dos estudantes. Nesse contexto, a utilização de recursos pedagógicos acessíveis, concretos, interativos e multissensoriais apresenta Objetivo: Investigar as contribuições dos materiais interativos grafotáteis para o processo de ensino e aprendizagem de gêneros textuais de estudantes com TEA no Ensino Fundamental II, considerando a formação continuada docente como elemento essencial para a construção e consolidação de práticas pedagógicas inclusivas. Materiais e Métodos: Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter investigativo, em desenvolvimento, realizada no contexto da rede municipal de ensino de Volta Redonda-RJ, fundamentada nos pressupostos da Teoria Histórico-Cultural de Vygotsky e nas contribuições teóricas relacionadas à Educação Inclusiva, formação continuada de professores e ensino de Língua Portuguesa. O estudo envolve a análise do contexto escolar, das práticas pedagógicas desenvolvidas e da utilização de materiais interativos grafotáteis produzidos em MDF pedagógico, compostos por letras em relevo, cartões táteis, organizadores textuais, imagens, jogos pedagógicos e recursos manipuláveis voltados ao trabalho com diferentes gêneros textuais. Esses materiais são utilizados como instrumentos de mediação pedagógica em atividades de leitura, interpretação, produção textual e construção coletiva do conhecimento, proporcionando experiências multissensoriais que favorecem a interação dos estudantes com os conteúdos trabalhados. Resultados: Os resultados parciais apontam que a utilização dos materiais grafotáteis tem favorecido maior participação dos estudantes nas atividades propostas, ampliando a interação, o envolvimento e a organização das ideias durante o processo de ensino e aprendizagem. Observam-se indícios de fortalecimento das habilidades relacionadas à linguagem, compreensão textual e produção escrita, além do aumento do interesse e da participação dos estudantes nas práticas pedagógicas desenvolvidas. Em relação aos estudantes com TEA, os recursos têm demonstrado potencial para ampliar a atenção, favorecer a comunicação, estimular a autonomia e contribuir para experiências educacionais mais significativas e acessíveis. Conclusão: Considerando que a pesquisa encontra-se em andamento, espera-se que os resultados contribuam para ampliar as discussões sobre o uso de materiais interativos grafotáteis como instrumentos de mediação pedagógica no ensino de Língua Portuguesa, fortalecendo práticas educacionais inclusivas e promovendo estratégias que respeitem as singularidades dos estudantes. Espera-se, ainda, evidenciar a relevância da formação continuada de professores como elemento fundamental para a consolidação de práticas pedagógicas comprometidas com a inclusão, a equidade e a garantia do direito à aprendizagem de todos os estudantes. Palavras-chave: Educação Inclusiva; Transtorno do Espectro Autista; Materiais Grafotáteis; Formação Continuada; Gêneros Textuais.
