EDUCAÇÃO INCLUSIVA E ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO: A FORMAÇÃO DOCENTE COMO FERRAMENTA DE IDENTIFICAÇÃO E ATENDIMENTO PEDAGÓGICO
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Resumo
A presente pesquisa insere-se no campo da Educação Inclusiva e aborda a formação docente como ferramenta para a identificação, sinalização e atendimento pedagógico de estudantes com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) no contexto da escola pública. Parte-se do entendimento de que, embora os estudantes com AH/SD sejam reconhecidos legalmente como público da Educação Especial, muitos ainda permanecem invisibilizados no cotidiano escolar em razão de mitos, concepções restritas de inteligência e lacunas na formação docente. Nesse cenário, estudantes com elevado potencial podem não ter acesso a práticas pedagógicas capazes de favorecer o desenvolvimento de suas habilidades, o que pode gerar desinteresse escolar e dificuldades socioemocionais. A pesquisa fundamenta-se teoricamente em autores como Gardner, com a Teoria das Inteligências Múltiplas; Renzulli, ao discutir a interação entre habilidade acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa; Fleith e Pérez & Freitas, no campo das práticas pedagógicas e da identificação; e Rondini, quanto aos instrumentos de reconhecimento dos indicadores de AH/SD no contexto escolar. Soma-se a esse referencial a legislação vigente, como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, a Lei Brasileira de Inclusão e a Nota Técnica nº 04/2014 do MEC, que reforçam o direito ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) e às práticas inclusivas. O estudo tem como objetivo investigar como a formação docente pode colaborar para a identificação, sinalização e atendimento pedagógico de estudantes com Altas Habilidades/Superdotação na rede municipal de ensino da região de São Mateus, na cidade de São Paulo, na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e delineamento transversal, articulando pesquisa bibliográfica, análise documental e formação continuada como espaço de produção de dados. O estudo está sendo desenvolvido com professores da rede municipal de ensino, incluindo docentes da sala comum e do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Como estratégia metodológica, foi elaborado e implementado um curso de formação continuada sobre Altas Habilidades/Superdotação, com carga horária total de 30 horas, distribuídas em 6 horas presenciais, 6 horas síncronas e 18 horas a distância. A formação contempla conteúdos relacionados às concepções de inteligência, teorias explicativas das AH/SD, características e indicadores observáveis, mitos, identificação pedagógica, políticas públicas, enriquecimento curricular, dupla excepcionalidade, Atendimento Educacional Especializado e Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). As atividades formativas envolvem exposição dialogada, leitura orientada de textos teóricos e documentos normativos, análise de estudos de caso, atividades colaborativas e elaboração de propostas pedagógicas inclusivas. A produção de dados ocorre por meio de questionários aplicados antes e após a formação, análise documental e registros produzidos pelos participantes ao longo dos encontros formativos. Espera-se que os resultados contribuam para ampliar a compreensão docente acerca das Altas Habilidades/Superdotação, favorecer processos de identificação pedagógica no cotidiano escolar e fortalecer práticas educacionais mais inclusivas e equitativas, especialmente em territórios periféricos da rede pública de ensino. Como produto educacional, foi desenvolvida a própria formação continuada destinada aos professores da rede municipal, estruturada como espaço de reflexão crítica e fortalecimento das práticas pedagógicas voltadas aos estudantes com AH/SD.
