CARACTERIZAÇÃO DOS DADOS DE INFECÇÃO DE CORRENTE SANGUÍNEA A PARTIR DA CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS (CID-10) DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES HOSPITALARES (SIH) DO DATASUS DE 2013 A 2024
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Resumo
Introdução: A infecção de corrente sanguínea (ICS) é uma importante causa de morbidade e mortalidade por doenças infecciosas, com impacto significativo nos sistemas de saúde. No Brasil, os dados sobre sua carga permanecem limitados, restritos a estudos locais. Nesse contexto, a utilização da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) em bases públicas, como o Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do DATASUS, representa uma estratégia relevante para ampliar a caracterização epidemiológica das ICS em âmbito nacional. Objetivo: Caracterizar os casos de infecção de corrente sanguínea identificados a partir da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), utilizando dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do DATASUS referente ao estado de São Paulo, entre 2013 e 2024. Método: Estudo observacional retrospectivo baseado em dados secundários anonimizados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do DATASUS, referentes ao período de 2013 a 2024. A identificação dos casos de infecção de corrente sanguínea foi realizada por meio de estratégia hierárquica para seleção de códigos CID-10, incluindo revisão da literatura, análise exploratória dos bancos de dados e validação por comitê de especialistas. Foram analisadas variáveis demográficas, distribuição geográfica, e letalidade, com compilação e análise dos dados em plataformas estatísticas apropriadas. Resultados: Um total de 30.301.300 internações hospitalares por todas as causas durante o período do estudo foram observadas, com uma letalidade geral de 5,3% (1.600.095 mortes). As mulheres representaram 56,1% das internações (13.292.832 casos) com letalidade menor (4,5%) em comparação aos homens (6,6%). Pacientes com menos de 12 anos de idade representaram 12,1% das internações (3.678.408), enquanto os com mais de 60 anos representaram 29,0% das internações (8.791.837). Houve 537.991 internações associadas à ICS, com uma prevalência ligeiramente maior entre os homens (53,2%). Os casos estavam distribuídos de forma desigual de acordo com a idade, com a maioria dos casos (58,6%) e a letalidade (72,5%) ocorrendo na população com ? 60 anos. A tendência de hospitalização por ICS mostrou um padrão de aumento (APC= 1,5; IC95%: 0,6 a 2,5%; p < 0,01), e a letalidade um padrão de diminuição (APC= -1,7; IC95%: -2,4 a -0,9%; p = 0,01). Conclusão: São Paulo é um estado grande e populoso e a ICS foi uma condição significativa, representando 1,77% de todas as hospitalizações durante 12 anos, com mortalidade associada de 56,5%. Essa taxa foi significativamente maior em comparação com a mortalidade por todas as causas durante a hospitalização (valor de P < 0,001), sendo mais alta entre os idosos. Embora haja um aparente decréscimo na mortalidade ao longo dos anos, as altas taxas reforçam a importância de estudos causais, com a resistência antimicrobiana entre os potenciais contribuintes. O banco de dados gerado por esse projeto está disponível para o acesso de outros pesquisadores.
