Congresso UNIFESP 2026
PÓS-GRADUAÇÃO (stricto sensu)CIÊNCIAS HUMANAS, ARTES, JORNALISMO E INFORMAÇÃOTrabalho #24816

NAS FRESTAS DOS ARQUIVOS ATLÂNTICOS: CRÍTICA DE FONTES E NARRATIVAS DA ESCRAVIDÃO NA OBRA DE ALBERTO DA COSTA E SILVA

Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Guarulhos)
ODS 4ODS 10ODS 16

Autores

IURI CAVLAK - ORIENTADOR(A)RODRIGO FERNANDES VICENTE - AUTOR(A)

Resumo

A presente comunicação propõe uma análise crítica da produção historiográfica de Alberto da Costa e Silva, investigando as tensões metodológicas e as escolhas epistemológicas que cruzam as suas principais obras de síntese e biografia. O objetivo central é mapear como o autor, operando a partir do diletantismo e da vivência diplomática, desafiou as fronteiras rígidas da historiografia tradicional ao propor uma narrativa africanista sistemática pioneira no Brasil. Metodologicamente, a pesquisa confronta as balizas teóricas albertianas em três tempos: primeiro, analisa-se o peso de visões objetivistas e macroestruturais de Arnold Toynbee e Fernand Braudel em A Enxada e a Lança, investigando o atrito entre a "imaginação poética" do autor e o regime disciplinado da prova documental face às epistemologias locais e ritos temporais da África Antiga; segundo, discute-se a transição para a "sombra" da escravidão em A Manilha e o Libambo, tensionando os diálogos bilaterais com Pierre Verger e Luiz Felipe de Alencastro, além do confronto dialético entre a plasticidade de Gilberto Freyre e a engenharia de dominação de Clóvis Moura no laboratório luso-africano; por fim, avalia-se o "giro biográfico" operado na trajetória de Francisco Félix de Souza, problematizando o uso da escala individual e da agência humana na microanálise de processos atlânticos de longa duração. Os resultados parciais demonstram que, a despeito de equívocos conceituais no trato com o islamismo e de uma tendência a converter o continente em "vitrine", a escrita híbrida de Costa e Silva ? que costura crítica documental, lirismo poético, mito e fato ? restitui a agência histórica aos povos africanos e oferece um espelho transatlântico essencial para decifrar as contradições da formação social brasileira.