CARACTERIZAÇÃO, NEUROTROPISMO E PATOGENICIDADE DE AMOSTRAS DE VÍRUS DA DENGUE (DENV) ISOLADOS NO ESTADO DE SÃO PAULO ENTRE 2024 E 2025.
Autores
Resumo
Projeto de Iniciação Científica Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (DMIP), Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) Pesquisadores Integrantes do Projeto: Sofia Agnes de Freita (Graduanda, EPM-UNIFESP), Nádia Koide Albuquerque (Doutoranda, EPM-UNIFESP), Brenno Fernandes da Cunha Lima (Doutorando, EPM-UNIFESP), Beatriz Moreira Rodrigues (Doutoranda, EPM-UNIFESP), Anderson Luís da Costa (Chefe de Divisão Técnica do Laboratório de Saúde Pública, Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde, Prefeitura Municipal de Guarulhos), Juliana Terzi Maricato (Orientadora). CARACTERIZAÇÃO, NEUROTROPISMO E PATOGENICIDADE DE AMOSTRAS DE VÍRUS DA DENGUE (DENV) ISOLADOS NO ESTADO DE SÃO PAULO ENTRE 2024 E 2025. Este projeto tem como objetivo analisar o fenótipo e neurotropismo de sorotipos do vírus da dengue (DENV) isolados do Estado de São Paulo entre 2024 e 2025, em células da micróglia humana linhagem C20; neurônio humanos SH-SY5Y; e células Cercopithecus aethiops (VERO - CCL81). Serão avaliados o neurotropismo e efeito citopático (CPE) nos intervalos de 24h, 48h e 72h. As arboviroses constituem o grupo viral mais extenso de que se há registro, e a dengue é considerada a doença transmitida por mosquito de maior relevância na atualidade (Lessa, Carlos Letacio Silveira et al., 2023). Entre 2007 e 2017, as fatalidades atribuídas à dengue aumentaram 65,5%, e a incidência do vetor tem se disseminado em áreas historicamente não endêmicas (Paz-Bailey G et. al., 2024). O Brasil possui 207.206 casos prováveis e 72 óbitos por dengue só em 2026, atingindo principalmente jovens entre 20 e 29 anos (Brasil, Ministério da Saúde, 2026). Apesar da via intracerebral não ser a via natural da infecção por DENV, houve um crescente número de casos de dengue humana com comprometimento cerebral nos últimos anos, com sinais e sintomas neurológicos variando desde disfunção muscular a encefalite e outras síndromes, destacando assim a importância de estudar o envolvimento do SNC durante a infecção pelo vírus. (Amorim, J.F.S., Azevedo, A.S., Costa, S.M. et al., 2019; Rosca, Elena Cecilia et al., 2025). Objetivo: O presente estudo objetiva estudar caracterizar e determinar o potencial neurotrópico e patogênico dos DENV isolados de amostras sangue de indivíduos com diagnóstico de Dengue oriundas do Estado de São Paulo, caracterizando-o como um estudo original e inédito. Metodologia: Neste estudo serão utilizadas as seguintes linhagens celulares: micróglia humana linhagem C20 (gentilmente cedida pelo Professor David A. Carbonell, Case Western Reserve University - Cleveland, OHIO, United States (Alvarez-Carbonell et al., 2019); neurônio humanos SH- SY5Y (ATCC ? CRL-2266®); astrócitos humanos HBCAs (ScienCell, passagem 1); endotélio humano HUVEC (ATCC-CRL-1730®) e células VERO CCL81 (ATCC CCL-81-VHG). As amostras clínicas positivas para o vírus da dengue (NS1 ) obtidas de pacientes serão inicialmente propagadas em cultura celular para amplificação viral. Após a propagação, o RNA viral será extraído e submetido à técnica de RT-PCR (Reverse Transcription Polymerase Chain Reaction), utilizando primers específicos para identificação e sorotipagem do DENV, permitindo determinar os sorotipos circulantes (DENV-1, DENV-2, DENV-3 ou DENV-4). Em seguida, as amostras virais identificadas serão quantificadas por meio do ensaio de placas virais (plaque assay). Para as infecções in vitro serão utilizados modelos de monoculturas e culturas mistas de células neurais (micróglias, astrócitos e neurônios). Iniciaremos infectando cada tipo celular com cada um dos isolados e após 24h, 48h e 72h de infecção será avaliada a presença de efeito citopático (CPE) por microscópio óptico e a carga viral nos sobrenadantes conforme descrito por Yamada et al., 2002. Em perspectiva, os isolados que apresentarem neurotropismo e induzirem CPE serão testados em modelos de barreira hemato-encefálica mais complexos conforme descrito por Wu et al., 2021. Resultados esperados: Espera-se que os isolados clínicos de DENV apresentem capacidade de replicação em células Vero CCL81, permitindo sua propagação, identificação molecular dos sorotipos por RT-qPCR e quantificação viral por plaque assay e TCID50. Nas linhagens neurais e endoteliais, espera-se observar diferenças entre os sorotipos quanto ao potencial neurotrópico, carga viral e indução de efeito citopático (CPE), incluindo alterações morfológicas, lise celular e redução da viabilidade celular ao longo de 24h, 48h e 72h de infecção. Espera-se, ainda, identificar alterações em modelos de barreira hematoencefálica, sugerindo possível comprometimento da integridade da barreira pelo DENV. De forma geral, os resultados poderão contribuir para a compreensão da neuropatogênese da dengue e do perfil biológico dos sorotipos circulantes no Estado de São Paulo.
