A BOLHA DA IA GENERATIVA: UMA ANALISE MARXISTA HISTÓRICO-ECONÔMICA ACERCA DAS CRISES DE SOBREACUMULAÇÃO DO CAPITAL
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Resumo
Diante dos avanços tecnológicos e do surgimento da inteligência artificial como ferramenta de otimização do trabalho humano, depara-se, cada vez mais, com o discurso de que o trabalho humano será substituído por instrumentos de inteligência generativa e que estaríamos vivenciando os movimentos que antecedem uma quarta revolução industrial. Entretanto, pensadores como Aaron Benanav (2020) e Paula Bach (2025) discordam veementemente dessas afirmações. Para Benanav, a "fetichização da tecnologia" representa um sintoma de mal-estar econômico que vem se alastrando desde a década de 1960 e é resultado da estagnação econômica e do crescimento das taxas de subempregos. Luciano Floridi (2024) aponta que essa percepção paradigmática em volta das IAs generativas é reflexo do crescimento de uma bolha tecnológica, assim como ocorreu com a especulação dos sites "Pontocom" no início dos anos 2000. A partir dessa contextualização, este projeto de iniciação científica tem como objetivo investigar a hipótese de confirmação de uma bolha da inteligência artificial a partir de uma leitura marxista, articulando o fenômeno com as categorias de crises de sobreacumulação do capital e investigando sua associação com a corrida armamentista como fenômeno contra-tendencial. Para isso, a metodologia adotada é fundamentalmente de revisão bibliográfica e análise histórico-documental. Serão realizados levantamentos em plataformas como Google Acadêmico, SciELO e ScienceDirect, além de relatórios do FMI, Banco Mundial, OCDE e OIT. Serão selecionadas bibliografias com perspectivas tanto críticas quanto favoráveis à bolha da IA para análise comparativa, seguidas do estudo teórico aprofundado de Marx e comentadores como Rosa Luxemburgo, David Harvey e François Chesnais. Tomando como objeto de comparação a crise financeira de 2008, será construído um quadro comparativo entre os dois fenômenos, incluindo dados de investimentos e indicadores de desemprego em contextos pré e pós-pandêmico. Por fim, serão inter-relacionados os investimentos em inteligência artificial e a corrida armamentista, examinando em que medida o setor bélico funciona como mecanismo contracíclico. Como resultados esperados, a pesquisa busca situar a bolha da inteligência artificial como uma crise financeira de sobreacumulação do capital - caracterizada pelo excesso de capital investido que não se efetiva na produção e pelo capital fictício - , compreendendo a IA não apenas como inovação tecnológica paradigmática, mas como fenômeno que precede um momento de regulação de crises do sistema. A partir da experiência da crise de 2008 e seus desdobramentos sociais, econômicos e geopolíticos - como demissões em massa, precarização do trabalho, acentuação das desigualdades e ascensão de políticas reacionárias -, a pesquisa busca entender de que forma essas regulações ocorrem e se é possível pensar, nesse cenário, na expressão máxima de violência: a guerra.
