IMPACTOS DE CURTO E LONGO PRAZO DA COVID-19 EM RECEPTORES DE TRANSPLANTE DE PÂNCREAS E RIM.
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Resumo
Afiliações Disciplina de Nefrologia, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo Hospital do Rim, Fundação Oswaldo Ramos CAAE: 35321020.9.0000.8098 Introdução: O transplante de pâncreas e rim (TPR) é a opção terapêutica preferencial para pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e doença renal crônica, visando restabelecer a função renal e pancreática e, por conseguinte, melhorar a sobrevida do indivíduo. Contudo, a pandemia de COVID-19 impôs desafios sem precedentes à população de transplante de órgãos sólido. A nossa instituição provou diversas evidências que nortearam as práticas durante e após o período da pandemia, mas poucas evidências foram geradas considerando especificamente os receptores de TPR. Objetivo: avaliar os desfechos de curto e longo prazo em receptores de TPR acometidos pela COVID-19. Metodologia: Estudo de coorte retrospectiva que incluiu receptores de TPR diagnosticados com COVID-19 entre 2020 e 2022. Acompanhamento: até 2 anos após a infecção. Desfechos precoces: internação hospitalar, síndrome respiratória aguda grave (SRAG), injúria renal aguda (IRA), necessidade de terapia renal substitutiva (TRS) durante a internação e óbito. Desfechos tardios: perda do enxerto, óbito e slope de função renal, considerando como a taxa de filtração glomerular (TFG) basal 3 meses antes da infecção. O slope foi calculado por equação de estimativa generalizada. Resultados: No período, os receptores de transplante de pâncreas, representavam cerca de 1,7% dos pacientes transplantados em seguimento no nosso ambulatório. Do total de 4.123 de pacientes transplantados diagnosticados com COVID-19 no período, 46 eram também receptores de pâncreas, equivalente a 1,1% dos pacientes diagnosticados; 17 casos foram diagnosticados no período em que não havia disponibilização de vacinas. Os receptores de transplante de pâncreas e rim tinham 46 (39,7-54,0) anos de idade, 52,2% eram mulheres, 80,4% brancos e 8,7% retransplante; 89,1% tinham sido submetidos a transplante simultâneo e 10,9% sequencial. O tempo entre o transplante e a infecção foi de 131 (79,7-157) meses, 78,3% usavam tacrolimo e micofenolato e a TFG basal era de 62,8 (43,4-81,0) ml/min. As principais manifestações clínicas de COVID-19 foram febre (38%), mialgia (33,3%), dispneia (19%) e diarreia (16,7%). O Manejo da imunossupressão durante a infecção foi observado em 73,2% e 34,8% necessitaram de internação hospitalar; 21,7% tiveram SRAG, 23,9% IRA e 13% necessitaram de TRS. A taxa de letalidade foi de 23,9%, sendo de 47,1% no período anterior à vacinação e 10,7% após a vacinação (p=0,02). Os sobreviventes foram acompanhados até 2 anos após a infecção, havendo 2 óbitos adicionais nesse período ( 4,3%), além de 2 perdas de enxerto renal (4,3%). O slope da TFG basal em 2 anos foi de -5,38 ml/min (IC95% = 3,18 a -13,9), p=0,22, passando de 63,2 (53,8 a 72,6) para 57,8 (47,9 a 67,8) ml/min. Conclusões: A taxa de letalidade nesta população foi semelhante àquela observada em receptores de transplante de rim, independente da etiologia da doença renal. Por outro lado, não observamos aceleração da perda de função renal entre os sobreviventes. Ainda avaliaremos o impacto na função pancreática.
