Congresso UNIFESP 2026
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSOCIENCIAS BIOLOGICASTrabalho #24921

CARACTERIZAÇÃO DA ARQUITETURA GENÉTICA E VIAS MOLECULARES DA INSÔNIA HUMANA

Escola Paulista de Medicina (São Paulo)
ODS 3

Autores

ANDRE MASSAHIRO SHIMAOKA - CO-AUTOR(A)JOSE MARCIO DUARTE - CO-AUTOR(A)LUCIANO RODRIGO LOPES - ORIENTADOR(A)MYLENA MARQUES RIBEIRO - AUTOR(A)

Resumo

Introdução: A insônia é um dos distúrbios do sono mais prevalentes mundialmente, impactando a qualidade de vida e aumentando o risco de doenças psiquiátricas, cardiovasculares e metabólicas. Estudos de associação genômica ampla (GWAS) demonstraram que a suscetibilidade à insônia possui natureza altamente poligênica, envolvendo múltiplos genes e variantes regulatórias. Entretanto, os mecanismos moleculares que conectam esses loci genéticos aos processos biológicos subjacentes ao sono permanecem parcialmente compreendidos. Este estudo teve como objetivo caracterizar a arquitetura genética da insônia, identificar genes prioritários, analisar sua expressão em tecidos relacionados ao sistema nervoso central e investigar as vias moleculares e fenótipos associados ao distúrbio. Métodos: Variantes associadas à insônia foram obtidas do GWAS Catalog e de estudos de referência sobre o tema. Os dados sumários de associação genômica para insônia foram processados em Python para geração dos arquivos de entrada das análises funcionais. O mapeamento de genes foi realizado utilizando a plataforma FUMA (método SNP2GENE), integrando evidências de associação genômica, expressão gênica (eQTL), interação cromatínica e significância por MAGMA. A caracterização funcional foi conduzida por meio das ferramentas GENE2FUNC e ShinyGO. Por fim, foi construída uma rede molecular para integrar genes prioritários, vias biológicas e fenótipos relacionados. Resultados: Foram identificados genes prioritários com evidências convergentes de associação genética, incluindo MEIS1, LIN28B, HACE1, TCF4, FOXP2, BTBD9 e LSAMP. A maioria dos genes apresentou suporte por interação cromatínica em tecidos neurais e expressão em regiões cerebrais envolvidas na regulação do sono, cognição e processamento emocional. A análise funcional revelou enriquecimento de processos relacionados à regulação da transcrição gênica, neurodesenvolvimento, plasticidade sináptica, organização neuronal, transporte intracelular e processamento de RNA. Observou-se também a participação de genes associados a fenótipos neuropsiquiátricos, desenvolvimento cognitivo e síndrome das pernas inquietas, sugerindo compartilhamento de mecanismos biológicos entre a insônia e outras condições neurológicas. A rede molecular evidenciou uma arquitetura genética complexa, composta por genes codificadores e elementos regulatórios não codificantes que atuam de forma integrada. Conclusão: Os resultados indicam que a suscetibilidade genética à insônia está fortemente associada a mecanismos regulatórios da expressão gênica e da organização funcional do sistema nervoso central. Além de genes classicamente relacionados ao sono, foram identificados componentes envolvidos em neurodesenvolvimento, cognição e transtornos neuropsiquiátricos, reforçando o caráter multifatorial da insônia. Esses achados contribuem para a compreensão dos mecanismos biológicos do distúrbio e fornecem potenciais alvos para futuras investigações translacionais e estratégias de medicina de precisão.