USO DE TELAS E HABILIDADES COMUNICATIVAS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TRANSTORNOS DO NEURODESENVOLVIMENTO
Autores
Resumo
Introdução: Nas últimas décadas, o avanço da tecnologia favoreceu o aumento da exposição precoce de crianças às telas, segundo Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendá-se evitar o uso de telas em crianças menores de 2 anos e tempo limite de 1 hora por dia em crianças de 2 a 5 anos, com supervisão de um adulto. Além disso, uma pesquisa realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, junto ao Datafolha, mostrou que 78% das crianças de 0 a 3 anos estão expostas diariamente às telas. Chegando a 94% entre os de 4 a 6 anos. Diante desses dados, é evidente que a tela faz parte do cotidiano das crianças e adolescentes, o que inclui também aqueles com diagnóstico de transtornos do neurodesenvolvimento, como TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).Objetivo: Investigar a relação entre o tempo de exposição às mídias digitais e o perfil comunicativo de crianças e adolescentes, bem como comparar os indicadores comunicativos entre participantes com transtornos do neurodesenvolvimento e participantes com desenvolvimento típico. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal, descritivo e de abordagem quantitativa, realizado por meio de um questionário aplicado aos pais e responsáveis. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (no 7.587.740). Os responsáveis responderam questionários sobre hábitos de uso de telas e o Questionário de Habilidades Comunicativas, instrumento destinado à caracterização do desempenho comunicativo-pragmático infantil. Foram calculados os escores de Comunicação Positiva, Comportamentos Atípicos e Perfil Comunicativo Total. Os participantes foram agrupados em Desenvolvimento Típico (DT; n=38) e Transtornos do Neurodesenvolvimento (TND; n=23). Foram realizadas análises descritivas, comparações entre grupos e correlações de Spearman, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: Os participantes com transtornos do neurodesenvolvimento apresentaram desempenho inferior no Perfil Comunicativo Total quando comparados aos participantes com desenvolvimento típico (p=0,004). O tempo semanal de exposição às telas foi maior no grupo TND, embora a diferença não tenha atingido significância estatística (p=0,097). Considerando a amostra total, observou-se associação negativa entre tempo de exposição às telas e Perfil Comunicativo Total (?=-0,336; p=0,008), indicando que maiores tempos de uso estiveram associados a piores indicadores comunicativos. Os resultados sugerem que crianças e adolescentes com maior exposição às mídias digitais tendem a apresentar menor frequência de comportamentos comunicativos positivos e maior ocorrência de características associadas a dificuldades de comunicação social. Conclusão: Os achados indicam que a maior exposição às mídias digitais está associada a piores indicadores de comunicação social em crianças e adolescentes. Além disso, participantes com transtornos do neurodesenvolvimento apresentaram perfil comunicativo mais comprometido quando comparados aos participantes com desenvolvimento típico. Esses resultados reforçam a importância de monitorar os hábitos de uso de telas durante a infância e adolescência, considerando seus possíveis impactos sobre o desenvolvimento comunicativo e as oportunidades de interação social.
