Congresso UNIFESP 2026
INICIAÇÃO CIENTÍFICA - BOLSA INSTITUCIONALCIÊNCIAS HUMANAS, ARTES, JORNALISMO E INFORMAÇÃOTrabalho #24955

GÊNERO, PRODUÇÃO NEOLIBERAL DO ESPAÇO E ACUMULAÇÃO CONTEMPORÂNEA NA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Instituto das Cidades (Zona Leste)
ODS 5ODS 10

Autores

CAMILA ALVES LIMA DE OLIVEIRA - AUTOR(A)GIOVANNA BONILHA MILANO - ORIENTADOR(A)

Resumo

Este trabalho é resultado das experiências de pesquisa possibilitadas pelo Programa Estudos Urbanos e Interdisciplinaridade, e está inserido no âmbito das práticas extensionistas do projeto Galpão de Direitos: reflexões sobre endividamento e conflitos na zona leste de São Paulo. Intencionando elaborar as questões mobilizadoras em torno da seletividade proprietária e das relações de produção do espaço, a pesquisa dialoga com o diagnóstico das transformações urbanas, segundo o qual emergem novos protagonismos na regulação da ordem nos territórios populares. Entendemos que tais transformações ? evidenciadas pela emergência de novos agentes e regimes normativos ? incita novas leituras acerca da seletividade proprietária enquanto um marcador do violento processo de urbanização. Partimos da compreensão de que a propriedade privada constitui o fundamento da produção capitalista do espaço, que essencialmente cria seletividade e segregação em torno de uma lógica proprietária, e buscamos investigar como os processos contemporâneos de exploração, opressão e espoliação se atualizam no contexto neoliberal e atravessam de maneira particular a vida e o cotidiano de mulheres periféricas. Para tanto, é realizada observação participante em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, território marcado por conflitos habitacionais relacionados ao endividamento e à ameaça de retomada de imóveis de mutuários da Companhia de Habitação Popular (COHAB) que tiveram seus contratos assumidos pelo FIDIC SPDA (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados) associado à Companhia São Paulo de Desenvolvimento e Mobilização de Ativos. Ao partirmos da observação participante no território, da análise documental de processos judiciais, e de entrevistas com mulheres em situação de endividamento e risco de remoção, pretendemos entender como os processos contemporâneos de acumulação pelo espaço se materializam nas experiências cotidianas. Assim, tomando o cotidiano de endividamento, trabalho, cuidado e reprodução da vida de mulheres periféricas como ponto de partida analítico, a pesquisa busca compreender como as relações de opressão, exploração e espoliação se articulam na produção do espaço. Nessa perspectiva, a propriedade privada não é entendida apenas como instrumento jurídico, mas como uma lógica que produz seletividade e segregação. Por fim, argumentamos haver uma radicalização da expropriação sobre mulheres periféricas em um contexto de transformações urbanas.