COMPOSTOS PALADACICLOS DPPE 1.1 E DPPE 1.2 COMO POTENCIAIS NOVOS FÁRMACOS CONTRA SCHISTOSOMA MANSONI
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Resumo
A esquistossomose é uma doença tropical negligenciada causada por helmintos trematodos do gênero Schistossoma, que acomete 250 milhões de pessoas em 78 países, sendo o S. mansoni o principal causador da doença nas Américas. O fármaco mais utilizado para o tratamento da doença é o praziquantel, com baixa toxicidade, alta eficácia contra vermes adultos, e baixo custo. Porém, apresenta baixa efetividade contra as formas jovens do parasita (esquistossômulo), e existem evidências de resistência em algumas cepas do parasita devido ao uso rotineiro em regiões endêmicas. Nesse sentido, faz-se importante e necessária a busca por novas alternativas terapêuticas. Em modelo murino, inibidores de cisteína protease apresentaram excelentes resultados contra T. cruzi, P. falciparum e S. mansoni. Dois desses inibidores, os compostos paladaciclos DPPE 1.1 e DPPE 1.2, quando testados em Leishmania, diminuíram a atividade da catepsina B. Em S. mansoni, esta catepsina é responsável pela maior parte da hidrólise da hemoglobina (principal fonte de aminoácidos do parasita), sugerindo uma potencial ação esquistossomicida para esses compostos. Nosso grupo de pesquisa demonstrou em estudos in vitro a ação esquistossomicida do DPPE 1.2 em vermes adultos, e dos DPPE 1.1 e 1.2 em esquistossômulos. Em testes de motilidade de vermes adultos, obtivemos uma redução tempo e dose-dependente mais pronunciado do DPPE 1.2 em comparação ao praziquantel (controle positivo), nos tratados por 72h e na concentração de 1000 nM para ambos os casos (p<0.05) Os vermes machos apresentaram uma maior redução da motilidade. Da mesma forma, o pareamento dos casais apresentou uma redução tempo e dose-dependente, com mais de 50% de despareamento em 24h, na dosagem de 500nM de DPPE 1.2. Também foi aferida a média de ovos por casal, com diminuição significante (p<0.05) com relação ao controle negativo em 24h e 48h para 1000nM, e em 72h para 500nM do composto. A eficácia dos compostos DPPE 1.1 e DPPE 1.2 sobre a viabilidade dos esquistossômulos récem-transformados foi avaliada utilizando-se a marcação PI/FDA após 72h de tratamento com 1000nM para ambos os compostos, demonstrando o comprometimento da viabilidade dos parasitas neste estágio (sobre o qual o praziquantel tem baixa eficácia). O IC50 calculado pelo método de ensaio de ATP para esquistossômulos tratados com DPPE 1.2 foi determinado na concentração de 165.5nM, demonstrando elevada eficácia mesmo em baixas concentrações. Com base nesses resultados, o próximo passo deste projeto será a caracterização do efeito in vivo dos compostos paladaciclos DPPE 1.1 e DPPE 1.2 em um modelo murino de infecção com S. mansoni. Serão avaliados os efeitos sobre o desenvolvimento e a ovoposição dos parasitas no hospedeiro mamífero. Também será avaliada a capacidade imunomodulatória dos compostos DPPE 1.1 e 1.2 no decorrer da infecção, com grupos tratados na 2ª e na 6ª semana, através da dosagem de citocinas em tecidos dos animais, uma vez que este modelo apresenta uma resposta imune mista (Th1, Th2 e T-reg). Como controle positivo, um grupo de animais será tratado com praziquantel (atual padrão ouro), e os resultados entre os grupos serão estatisticamente comparados através de testes paramétricos ou não-paramétricos, conforme a distribuição. A correção de Bonferroni para comparação múltipla será então aplicada para comparar cada condição tratada com o grupo controle, e com o grupo tratado com o praziquantel.
