MULTILETRAMENTOS: ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA ALUNOS DISLEXICOS
Autores
Resumo
1. Introdução e Justificativa Este estudo parte da experiência da autora de 26 anos como professora alfabetizadora na rede pública do Distrito Federal, especialmente no Centro de Ensino Fundamental 05 do Guará. Diante da persistente defasagem de aprendizagem de muitos estudantes ? mesmo após o ciclo de alfabetização ? e da dificuldade dos professores em atender adequadamente alunos com dislexia, a autora buscou aprofundar seus conhecimentos no mestrado profissional. O trabalho é motivado pela necessidade de práticas pedagógicas que ultrapassem os métodos tradicionais, considerando a dislexia como um transtorno específico da prendizagem de origem neurobiológica que prejudica a fluência e a decodificação da leitura, sem relação com déficit intelectual ou falta de oportunidades.A pesquisa se justifica à luz dos marcos internacionais e nacionais dos direitos humanos e da educação inclusiva: a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), ratificada pelo Brasil com status de emenda constitucional, e a legislação brasileira (Constituição Federal, LDB, Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei nº 14.254/2021). Esses documentos asseguram o atendimento educacional especializado e a obrigatoriedade de práticas inclusivas. Contudo, a autora destaca que, na prática, os docentes enfrentam falta de formação, recursos e condições estruturais para lidar com a diversidade em sala de aula.2. Problema e Questões de Pesquisa:O estudo busca responder a três questões centrais:1.Quais são os fatores que contribuem para o processo de inclusão educacional dos estudantes disléxicos? 2.Quais são os desafios no processo de inclusão de estudantes disléxicos do Ensino Fundamental? 3.Em que medida o uso de multiletramentos como prática pedagógica favorece o desenvolvimento da leitura e da escrita de estudantes disléxicos? A hipótese subjacente é que práticas pautadas na diversidade de linguagens (visual, sonora, digital, corporal, etc.) ? os multiletramentos ? podem potencializar a inclusão e a aprendizagem significativa, ao oferecer múltiplos caminhos de acesso ao conhecimento.3. Objetivos:Objetivo geral: Investigar como os multiletramentos podem ser utilizados como estratégia pedagógica para o desenvolvimento da leitura e da escrita de alunos disléxicos.Objetivos específicos:?Analisar, sob a perspectiva dos professores, os fatores que contribuem para a inclusão educacional de estudantes disléxicos.?Identificar, sob a perspectiva de professores e pais, os desafios no processo de inclusão desses estudantes.?Desenvolver e avaliar atividades baseadas em multiletramentos para o ensino da leitura e da escrita de estudantes disléxicos.?Elaborar um vídeo com sugestões de práticas pedagógicas baseadas em multiletramentos para estudantes disléxicos do 4º ano. 4. Fundamentação Teórica: A fundamentação está organizada em seis eixos principais:4.1. Dislexia como condição neurobiológica: A dislexia é definida como um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, com déficit no componente fonológico da linguagem. Estudos de neurociência evidenciam padrões diferenciados de funcionamento cerebral nas áreas temporoparietais e occipitotemporais, o que dificulta o reconhecimento rápido de palavras. No entanto, a neuroplasticidade permite que estímulos adequados criem rotas alternativas. Autores como Rotta, Ohlweiler e Riesgo (2016), Mousinho, Alves e Capellini (2015), e Relvas (2022) sustentam essa perspectiva.4.2. Legislação e Políticas Públicas para a Educação Especial Inclusiva :A pesquisa revisa a LDB (1996), a Política Nacional de Educação Especial (2008), a Lei Brasileira de Inclusão (2015) e a Lei nº 14.254/2021, que dispõe sobre o acompanhamento integral de educandos com dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem. Destaca-se também o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que assegura igualdade de condições para acesso e permanência na escola, bem como o direito de contestar critérios avaliativos. A autora argumenta que a legislação é necessária, mas insuficiente sem práticas pedagógicas fundamentadas em evidências.4.3. Mediação Pedagógica e Formação Docente A mediação eficaz exige que o professor compreenda a dislexia como condição que demanda flexibilidade metodológica. Autores como Almeida (2020), Relvas (2022) e Farina e Benvenutti (2024) apontam a importância da formação continuada articulada à neurociência e à sensibilidade humana. A relação família-escola também é destacada como pilar essencial (Alves, Gil e Souza, 2025; Menezes, 2023).4.4. Multiletramentos e Estratégias Pedagógicas: O conceito de multiletramentos,originado no New London Group (1996) e desenvolvido por Cope e Kalantzis (2009), amplia o letramento para além da palavra impressa, integrando linguagens verbal, visual, sonora, gestual e digital. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) também reconhece as práticas de multiletramentos. Para estudantes disléxicos, essa abordagem permite acessar conceitos por múltiplos canais .
